FUTURO GARANTIDO
Às vezes me perguntam sobre o momento atual do FORRÓ. É uma pergunta difícil, pois abrangente demais. Se querem saber de público, de demanda em mídia ou de valor de mercado, eu diria que estamos caminhando com uma certa dificuldade. Mas se quiserem falar dos músicos, eu aposto que nenhum ritmo está em um momento tão forte e promissor como nós.
Sem demérito para qualquer outro ritmo, aposto e desafio alguém a apresentar um quadro de jovens músicos tão impressionante quanto o que temos por aqui.
A começar por Mestrinho e sua banda: o time de músicos que o sanfoneiro "fora da curva" junta, tem vários outros talentos inegáveis.
PIPOQUINHA, o responsável pelo contrabaixo impressiona, não só a mim, mas a todos e sobretudo aos baixistas. Jovem, de talento inegável, vem fazendo carreira europeia há algum tempo. Ainda criança, já perambulava em vídeos espalhados pelo país desafiando olhos e ouvidos que tentavam entender o que era aquele menino tão novo tocando tanto. Com técnica refinada e amadurecimento precoce, é uma das apostas da música. Muita gente o colocaria como músico de jazz, o que não deixa de ser verdade, mas hoje, é também do FORRÓ, é nosso e com muito orgulho.
Por falar em amadurecimento precoce tem um menino que não para de crescer. Claro que não estou falando de estatura; esse menino, que era moleque, do Forró Moleque, é agora um respeitável jovem que frequenta a televisão e atrai os olhares e principalmente os ouvidos de quem o ouve. Garoto de origem humilde teve uma ascensão meteórica no ritmo, onde, hoje, é exemplo para todos os que vão tocar e ídolo de alguns veteranos que o tem como uma grata realidade da música brasileira: COSME VIERA é tudo isso! Zeca Baleiro que o diga...
Amigo, colega desde quase sempre de COSME, é o zabumbeiro FEEH SILVA, jeito de criança, rosto de criança e gente grande no palco. Se o zabumba é limitado perto da bateria, quem ouve esse menino tocar jamais diria isso. É impressionante o que ele faz durante as músicas mais rápidas, sem perder o ritmo, sem comprometer o andamento, sem cansar, sem deixar de impressionar. Ele é mais um da galeria que vale a pena ser observado muito de perto. Para quem acha que é só um maníaco por batidas e mais batidas, nos xotes, ele empresta um suave toque para embalar todos os casais que rodopiam suavemente pela pista.
PABLO MOURA é um velho conhecido, se é que alguém tão jovem pode ser considerado velho de alguma maneira. Ele já passeava pelo Canto da Ema, garoto ainda, quando tinha pouco mais de um metro de altura e cabelos longos, correndo atrás das vindas de Dominguinhos à casa. Já naquela época, mostrava seus dotes de sanfoneiro iniciante podendo-se prever que dali viria alguém com talento para dar sequência ao FORRÓ. Dito e feito, o menino cresceu e sua técnica o acompanhou. Hoje, ainda muito novo, mas bem mais alto de estatura, aprendeu a tocar a ponto de acompanhar na Europa ninguém menos do que um dos mitos da sanfona no país, Oswaldinho do Acordeon. Pablo segue seus amigos jovens sanfoneiros, impressiona pela técnica, pelo conhecimento, mas também pelo aprendizado de quem toca o necessário, sem exageros, mas sempre bonito e envolvente.
JOQUINHA é o caçula da turma, sanfoneiro extremante técnico, rápido e desenvolto como veterano. Não é raro ver a pessoas boquiabertas em suas demonstrações de alguns solos, com enorme destreza. Este, ainda, às vezes, derrapa no excesso, mas como é o mais jovem da turma, quando chegar à idade que seus colegas têm no momento, já terá, como eles, entendido que a beleza conta mais que o excesso. Técnica para isso não falta, nem a linhagem de onde descende, pois é sobrinho de Pedro Sertanejo, filho do Tio Joca do Sabiá e primo de Oswaldinho do Acordeon.
Qualquer músico precisa muito mais do que técnica; música não é circo e por isso a sensibilidade musical tem que caminhar junto, lado a lado e estes meninos, todos com menos de 23 anos, têm um enorme futuro pela frente.
Eles todos vivem com seus instrumentos colados aos corpos, acordam com eles, almoçam e dorme sem os largarem, apaixonados por música, não param de aprender e por isso, até por isso, surpreendem demais. Para nós, que amamos o FORRÓ, é a certeza e uma garantia da continuidade, sobrevivência e longevidade do ritmo; na verdade, bem mais do que isso, pois com o talento deles o FORRÓ, com certeza, será reinventado, modernizado e terá novas linguagens, sem nunca perder a tradição, pois todos são, para nossa sorte, amantes de Gonzaga, Dominguinhos, Oswaldinho, Jackson e etc etc etc.
Paulinho Rosa   (Mar/2017)