Fevereiro, Pedaço da História
A história vem sendo contada aos poucos, e um pouco dela estará no Canto da Ema neste mês de fevereiro.
Se já cansei de falar da origem do forró, da importância de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês e outros, chegou a vez de desfiar um pouco da trajetória dos personagens (ou artistas) que hoje fazem o forró ser um sucesso, e a importância deles neste exato momento.
Comecemos pelo dia 11 de fevereiro. Teremos aqui no Canto da Ema o mais importante personagem do forró atualmente. José Domingos de Moraes, o Dominguinhos, estará conosco comemorando mais um aniversário. Nesse dia, teremos o prazer de cantar parabéns a um dos mais geniais e reverenciados artistas populares do Brasil. Se isso tem pouco espaço na mídia ou se é boicotado pelas rádios que insistem em esnobar a música nordestina, ele continua sendo um ícone, uma referencia dentro do meio artístico. Já vi e ouvi, ao vivo, a cores e bem de pertinho, Elba Ramalho dizer que é o maior compositor deste país. Também presenciei Lenine repetir, diversas vezes, que queria ser como ele, e que é fã confesso. Li, recentemente, que até o mito, Chico Buarque, tem em conta, entre seus mais prováveis futuros Parceiros, o nosso mestre sanfoneiro. Mesmo no meio dos acordionistas, em que talvez fosse de se esperar uma maior rivalidade pelo trono de "o maior", Dominguinhos é praticamente uma unanimidade. Tudo isso com referência à sua capacidade musical de artista e instrumentista, sem levar em conta a doçura, a humildade e o caráter de uma das figuras mais ternas e cativantes que já conheci. Além do mais, é extremamente corajoso e fiel . Nunca abandonou o forró, nem nos tempos mais difíceis, e jamais esqueceu de homenagear seu pai, amigo, irmão, filho e mestre: Luiz Gonzaga.
Fevereiro não pára por ai...
No dia 16, teremos, no Canto da Ema, o encontro de Falamansa e Trio Virgulino. Tão diferentes e tão próximos. Tão forrozeiros um como o outro, embora com trajetórias tão díspares.
Trio Virgulino talvez seja o maior símbolo de todo o ressurgimento do forró na região sudeste: extremamente carismático, o Trio alia a excelência instrumental e a alegria de Enoque, um músico com 10% da visão, mas com 150% de visão e sexto sentido em cima do palco, com o sorriso aberto do Triangleiro (trianguleiro?) Adelmo e a safadeza do zabumbeiro Roberto.
Vindos do interior de Pernambuco, eles foram, juntamente com o Trio Sabiá, os precursores do forró entre os estudantes. Por esse motivo, são considerados padrinhos de quase todas as novas bandas de forró surgidas em São Paulo, de 1995 para cá. Acabaram de lançar seu mais recente trabalho, o "Forró do Futuro". E continuam, para nossa sorte e deleite, todas as quartas-feiras tocando, brincando e divertindo a todos os que aparecem por aqui
O Falamansa foi o responsável pela re-popularização do forró em todo o país. Em um momento em que o forró (forró?) eletrônico era o único que tinha espaço na mídia, apareceu o Falamansa com o nosso tradicional forró. Embora com o sotaque paulista, herança da terra onde nasceram a maioria de seus componentes, acabaram por conquistar inúmeros estudantes, o que confundiu os meios de comunicações ignorantes com relação ao ritmo, resultando no fictício forró universitário, que nada mais é que o forró tradicional.
Os paulistas Tato, Alemão e Dezinho, mais o pernambucano Valdir, espalharam xotes, baiões e forrós por todo o país. E, numa atitude generosa e muito bonita, acabaram ajudando seus ex-mestres do Trio Virgulino, colocando-os, na época, em uma grande gravadora.
Dia 16, mais uma vez, eles se encontrarão no Canto da Ema para fazer uma prévia da gravação do DVD do Falamansa (making of). Será a primeira vez que a MTV abrirá as portas para a gravação de um DVD sobre forró e de novo será o Falamansa o precursor, tendo como convidado o Trio Virgulino, que abrirá mais essa porta para nós, forrozeiros.
Está na hora de todos nós, que amamos o forró, devolvermos em carinho e participação o que o Falamansa já nos proporcionou. E é uma excelente oportunidade de ver juntos os dois grupos que têm feito a história do forró ter prosseguimento.
E fevereiro ainda não pára por ai. Trio Sabiá e Trio Araripe, dois dos melhores e mais importantes trios de forró do país vão dando seu pitaco na história. A tradição e a força do Sabiá, com o repertório e a qualidade do Araripe, estarão contagiando as sextas e os sábados do Canto da Ema.
Haverá também, não podia esquecer, a novidade (novidade?): O Bando de Maria. Um forró mais moderno, mais vigoroso. Se não é tão tradicional, como nós conservadores sempre queremos, é criativo e tem no baixo, na guitarra e sobretudo na dramática e segura interpretação de Maria Paula, os seus pontos fortes.
Por fim, vem aí o dia 28 de fevereiro, quando ocorrerá uma grande festa em que estarão presentes mais alguns desses fazedores da história do forró. Serão, outra vez, três grandes nomes da MPB, três músicos respeitados em todo o país e em várias partes do mundo, que estarão no Canto da Ema fazendo uma homenagem e angariando fundos para o compositor Zezum, autor de "Onde Está Você".
Mas essa é uma outra história. Eu conto em um próximo capítulo...
Paulinho Rosa  (Fev/2005)