Breu Total!
Quarta Feira sem muita chuva, ou pelo menos, nada que levantasse a possibilidade de uma catástrofe, mesmo aquelas de pequenas dimensões, como por exemplo a falta de luz.
.........PUF............
E não é que aconteceu?!
Fui alarmado por esse terrível acontecimento por volta das 23:00. Meu celular tocou e meu sócio Zé Roberto deu a notícia. E pior!!! Completou dizendo que a companhia energética não tinha conhecimento da origem do problema e consequentemente não tinha a menor idéia de que horas a força retornaria.
Voei (com cuidado, claro!) para o Canto da Ema, a fim de ajudar a consolar o pessoal da casa e os possíveis freqüentadores que lá houvessem.
Cheguei com o bairro inteiro às escuras. Daquele ponto da Faria Lima até a marginal do Pinheiros via-se em uma ou outra janela a frágil iluminação tremida de velas e, no mais, breu total.
O Canto da Ema já com grande fila e as pessoas discutindo se teríamos ou não evento. Entrei com as luzes de emergência que proporcionam uma iluminação esbranquiçada. As pessoas estavam desoladas e os funcionários atônitos diante da possibilidade de que não pudéssemos funcionar.
Mais de 50 clientes já haviam entrado e aguardavam pacientemente pelo desfecho do impasse.
Tentamos mais uma vez contatar a companhia de energia e nada. Ligamos para inúmeras companhias que alugam geradores e nada também: a instalação de um motor de fornecimento de energia leva no mínimo 1 hora e meia. O que fazer?
Mais uma vez, já aflitos pela total impotência de atender aos nossos fiéis clientes que se mantinham dentro e em frente ao Canto, tentamos a empresa fornecedora de luz e esta, finalmente, acenou com uma saída: a energia fora cortada por bambus caídos nas linhas de transmissão e deveria ser restabelecida por volta da, 1:30 da manhã.
Nessa hora, um sorrisinho diabólico e uma imensa alegria tomou-me o rosto. Falei com o Trio Virgulino que topou na hora. Olhei para o Zé Roberto e ele já arregaçou as mangas e disse: "Faça o que tiver que fazer que operacionalmente eu dou um jeito das coisas andarem". Era o que precisava ouvir. Decidimos abrir sem computadores, sem geladeiras, sem luz e sem som. Um acústico com cara de sertão, com cara de festa de amigos, com cara de forró.
Saí gritando as informações para as pessoas presentes dentro do salão. Quem quisesse ficar e ouvir o acústico até a volta das luzes, que ficasse, aqueles que não quisessem seriam ressarcidos ou com VIPs ou com dinheiro devolvido dependendo do caso. Cinco pessoas desistiram.
Lá fora, foi a mesma coisa. O pessoal que esperava para entrar foi informado da situação e da proposta. A maioria gostou e entrou.
Escutamos por cerca de 40 minutos o Trio Virgulino no chão, com luzes de emergência e velas, fazendo um forró puxado pelas vozes de todos os que ali estavam. Foram 40 minutos mágicos em que pudemos constatar a paixão das pessoas pela banda, pelo ritmo e pelo que ele proporciona,
Será que se fosse uma balada com som black, tecno ou rock teria ocorrido o mesmo???
Não sei, possivelmente sim,.... ou não, mas de uma forma ou de outra o forró está ai e mostrou a sua força.
Queremos agradecer muito a todos os presentes que entenderam a situação e se acomodaram para se divertir. Queremos agradecer sobretudo ao Trio Virgulino que não esmoreceu e nem hesitou em nenhum momento diante das dificuldades.
E, para aqueles que se foram naquele dia, espero que tenham tido uma ótima noite de sono.
Paulinho Rosa  (Nov/2004)