Encontro de Sanfoneiros e Festa Junina
Temos usado o editorial para anunciar eventos futuros. Desta vez, queremos falar de um evento já ocorrido e contar da alegria e do otimismo que nos invadiu nessa ocasião: no dia 09 de junho, o Canto da Ema apresentou o "Arrumadinho Especial", um encontro que reuniu oito sanfoneiros, oito amigos que são dedicados ao forró e que estão sempre ao lado do Canto da Ema. A festa já começou no camarim, onde, numa rápida reunião com todos, decidimos sortear a ordem de entrada dos sanfoneiros. Por sorte ou orientação divina, a ordem sorteada foi a melhor seqüência que poderia ter acontecido.
O show começou com os oito sanfoneiros entrando um a um, sob uma gritaria e aplausos nunca vistos antes no Canto da Ema. Sob o som do primeiro acorde, surgiu uma verdadeira orquestra de sanfonas, sob a liderança de dois solistas: Dominguinhos e Osvaldinho do Acordeon, que tocaram Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixera. Segundo o roteiro estabelecido, Enoque Virgulino, o primeiro no sorteio, deveria começar seu solo; ao invés disso, contudo, ele pediu para todos ficarem e entoarem Brasileirinho. Logo depois, Enoque ficou sozinho, mas por pouco tempo, já que chamou Tato do Falamansa para participar de sua apresentação. O segundo a apresentar-se foi Tio Joca, que empunhando um "pé de bode"- uma sanfoninha muito simpática -, dividiu com o sanfoneiro do Virgulino, um grande momento do Encontro. Tio Joca trouxe uma supresa: seu filho Jeferson com o qual tocou um delicioso choro.
Dominguinhos, o seguinte, entrou para êxtase geral do público. Solou um pouco e, depois, cantou, distribuindo sua categoria e encanto por todo o espaço. Chamou então Osvaldinho; juntos, travaram um dueto na linguagem que mais conhecem: a do fole. Após a saída de Dominguinhos, Osvaldinho homenageou seu pai, Pedro Sertanejo, e ainda tocou uma adaptação, feita por ele mesmo, de Asa Branca em ritmo de Blues, diante de um público estupefato e maravilhado. Seu Jorge, do Rastapé, entrou logo a seguir, e entoou o forró pé de serra com tudo, colocando energia e garra, fazendo dançar os que até então apenas assistiam. Foi ele que trouxe mais uma surpresa para o espetáculo, ao chamar Jorge Filho, seu filho, para dividir o palco. Chiquinho do Araripe veio em seguida. Pequenino como é, manteve o pique do seu antecessor, tocando forró com vontade e de forma contagiante. Neste momento, houve o encontro dos pequenos, já que Chico Ceará foi o próximo, deixando claro que tamanho não é documento. O Sanfoneiro de Alceu Valença e Arleno Farias brindou a todos com uma virtuosa apresentação de sanfona no estilo "Jimmy Hendrix". O ultimo do sorteio foi Jucelino. Quem esperava que este fosse esmorecer pelo adiantado da hora foi surpreendido, pois, juntamente com Chico Ceará, ele pôs fogo no forró, de tal forma que o show parecia estar apenas começando. Ao final da sua fantástica apresentação, Jucelino ainda comandou um "Arrumadinho" com participação de zabumbeiros, triangleiros e cantores, encerrando a noite às cinco, ou pouco mais, da manhã.
Na mesma semana, dia 15, um domingo, tivemos nossa festa junina. Um público animado, embora pouco paramentado, compareceu em massa ao Canto da Ema. Sob o comando de Maria Paula e seu bando fizeram uma das mais engraçadas quadrilhas que se tem notícia. Quinhentas pessoas amontoadas em túneis, rodas, cumprimentos e gritos, fizeram da festa junina um momento divertido e inesquecível. Se não chegou a ser um autêntico arraiá, foi, certamente, uma tentativa feliz e muito gostosa de se divertir relembrando e deixando claro que as festas juninas são uma das mais importantes manifestações festeiras da cultura brasileira.
Por fim, é importante ressaltar a importância da participação do público no dois eventos. Compareceu de forma maciça e entusiasmada, sem uma briga ou confusão, mostrando que o caminho que o Canto da Ema escolheu vem dando resultado.
Paulinho Rosa  (Jul/2003)