Sanfona: A Alma do Forró
Como não lembrar de um sax quando se fala em jazz. O mesmo acontece quando se fala de rock, vem logo a imagem de uma guitarra. Os diversos ritmos tem em determinados instrumentos a sua referência e identidade principal, é como se esses ritmos tivessem alma. No caso do forró a alma inegavelmente é a sanfona. Desde que, na década de 40, Luiz Gonzaga criou o baião empunhando com orgulho seu fole, que o instrumento virou sinônimo da tudo quanto é arrasta-pé que tem por aí. A tal ponto que quando se ouve uma sanfona pensam logo que vai sair um forró. Sanfona é na verdade um instrumento muito antigo e eclético e serve para todos os ritmos. Mas, convenhamos, ela fica bem mesmo é no forró. Senão, como não se emocionar em uma frase elaborada pelo genial Dominguinhos? Como fazer para fechar a boca durante um concerto do mestre Osvaldinho? Já pensou em ficar parado em uma apresentação do Trio Sabiá com Tio Joca ao fole? E quando pensamos na soma de carisma e técnica do nosso "baluarte" Enok Virgulino? E a alegria ao ver e ouvir as diabruras do pequeno, mas enorme sanfoneiro Chiquinho Ceará? E o respeito, que a seriedade, experiência e a compenetração do amigo Jorge Longuinho do Rastapé presta a serviço do forró? A simpatia e competência do Trio Araripe passa pelas mãos ágeis de Chiquinho. E por fim, a juventude e habilidade do já reconhecido e admirado Juscelino do Circuladô.
Agora, já imaginou todos juntos, em um único palco, em uma única noite, acompanhados por excelentes zabumbeiros e triangleiros?
Se não imaginou, nem tente, venha para o Canto da Ema, no dia 09 de junho e guarde o que vai ver e ouvir para o resto de suas vidas. A realidade é sempre melhor que a imaginação.
Paulinho Rosa  (Jun/2003)