Salto Alto
Sim, aqui tem salto alto. Tem também um monte de "turista" que nada tem muito com o jeito do forrozeiro. Tem gente de plumas e paetês, mas tem também de sandália e bermuda.
Somos uma deliciosa confusão de pessoas com a cara emblemática deste pequeno mundo chamado São Paulo. Somos com todas as características, com gente reclamando de tudo e gente achando tudo lindo.
Aqui no Canto da Ema, casa de forró, que fique bem claro, somos a receita bem acabada do que se chama normalmente Brasil e não digo com respeito à nação, mas à cara de miscigenação e sua alquimia maluca das mais diversas etnias, classes sociais, faixas etárias, estilos, jeitos, gostos, modos de pensar e até modos de reclamar. Por que aqui tem gente que reclama do salto alto, mas tem pessoas que adoram falar mal daqueles que vem bem à vontade de chinelo e boné. Outros falam mal das músicas, outros das bandas, mas também tem aqueles que adoram elogiar, elogiar e elogiar.
O Canto da Ema se orgulha de não ser só dos forrozeiros. Entenda-se por forrozeiros aqueles que adoram forró e gostam de ouvir várias vezes na semana e dançar umas outras tantas. Não que a gente não goste deles, pelo contrário, adoramos e os queremos sempre conosco. Mas queremos deixar bem claro que gostamos de receber também todos os principiantes, aqueles que são apaixonados por sertanejo, por funk, por bossa nova, por rock, por choro, por música eletrônica e pelo que "ele" quiser gostar, mesmo o forró não sendo prioridade no seu coração musical , ainda assim será sempre bem vindo ao Canto da Ema e faremos de tudo para "catequizá-lo" com o nosso ritmo delicioso e esse jeito tranquilo, e sadio, que é o das noites de forró. Contaremos a eles que bonita é a história de Gonzaga que se confunde com a do ritmo. Mostraremos Dominguinhos, mestre sanfoneiro que recebe elogios rasgados de pessoas do Jazz, do blues e da MPB. Mostraremos que na nossa balada, o contato com outras pessoas é uma "obrigação" real e que não precisa de papos artificiais ou forçar a barra para conhecer pessoas. Com o tempo, eles virarão os novos forrozeiros, para que o forró se mantenha sempre vivo e crescendo; afinal, quem ama quer o bem, seja de uma pessoa ou de qualquer coisa, nós queremos o bem do forró sempre!
Existe outra categoria, que não é nem dos forrozeiros e nem dos turistas, mas a daqueles que se acham "donos" do ritmo, que conhecem mais do que qualquer um, dançam melhor e sabem dizer exatamente o que é ou não o forró. Geralmente, só gostam de trios e comumente odeiam xote. Tudo bem, nós também os queremos na casa, mas gostaríamos que entendessem que, por incrível que pareça, há divergência de opiniões e que tem gente que ama xote, tem gente que prefere banda ao trio, alguns grandes nomes do forró inclusive, e que um bom arrastapé é sempre bem vindo.
Essa é a forma do Canto da Ema de encarar o forró; fazemos isso há 12 anos e acho que São Paulo, parte do Brasil e até do mundo, já reconheceram isso. Muita gente começou dançando aqui , outros cativamos e conquistamos de outras casas, outros ainda preferiram, com o tempo, se mudar para outros ambiente e tudo isso é muito saudável. A possibilidade de opção só faz o ritmo crescer. Afinal o forró é tão rico e tem tanta diversidade de estilos , artistas e ritmos, que é difícil sempre agradar a todos.
Mas só teremos novas casas, novos espaços se novas pessoas vierem conhecer e , eventualmente, elas estarão de salto alto.
Mas vamos torcer muito, e até orientar, para que troquem o salto por uma sapatilha, mas com calma, educação e recebendo todos sempre muito bem!
Pelo bem do forró!
Paulinho Rosa  (Abr/2013)