"Entre Amor e Ódio!"
Raramente sou curioso ou procuro saber dos concorrentes, mas outro dia, pensando neste editorial, passei pelas redes sociais para saber o que pensavam os forrozeiros (irmãos) que frequentam outros espaços, preferindo-os ao CANTO DA EMA.
O que mais me impressionou foram menos as críticas ao Canto ou mesmo às respectivas casas que as pessoas amam, mas o ódio que sentem pelas outras que não as que eles frequentam. É claro que isso não se refere a todo mundo, mas há pessoas que odeiam os outros espaços e muitas o CANTO DA EMA, apenas por ser uma outra casa com proposta diferente daquelas que ela frequenta.
Não imagino odiar casa alguma de qualquer ritmo que seja só por que é diferente da que frequento no meu caso, da que eu produzo, até porque adoro essa situação de nós, paulistanos, que vivemos em uma cidade cosmopolita, termos, tal como a cidade, essa mesma característica em se tratando de cultura. A diversidade com qualidade e quantidade é tão expressiva que fica difícil aparecer aos holofotes e esta é minha principal crítica e principal objetivo, pois acho que o forró merecia um pouco mais de espaço.
Vejam bem, eu disse o FORRÓ e não o CANTO DA EMA especificamente. Pois, embora a minha concorrência pelo público forrozeiro sejam as demais casas que fazem forró, o meu maior objetivo é atrair pessoas de outros ritmos para que tenhamos mais e mais forrozeiros e o ritmo possa, enfim, ocupar o lugar que merece.
Este intuito já explica boa parte das críticas dos forrozeiros que preterem o CANTO DA EMA por outras ditas" roots"( não gosto desse termo, assim como não gosto de pé de serra, forró é só um), pois embora toquemos forró e apenas forró 5 vezes por semana com variações para todos os gostos, com uma discotecagem e artistas que incluem Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro , Bicho de Pé, Falamansa, Alceu Valença, Elba Ramalho, Mestrinho, Ó do Forró e etc , até que provem o contrário é tão forró quanto Borrachinha, Jacinto Limeira, Venâncio e Corumba e seja mais quem os roots gostam de determinar que seja o forró verdadeiro.
O que quero dizer diretamente é que não entendo a rivalidade da pessoa que se auto intitula forrozeira ser maior com outras casas de forró do que com outros ritmos, pois o que precisamos é realmente remar todos pro mesmo lado, pro lado que Gonzaga criou e tantos e tantos discípulos continuaram e continuam, mesmo que tenhamos gostos diferentes.
Quando tocamos uma variada discotecagem que abrange todos os gêneros do ritmo, todos mesmo, isso visa a fazer crescer o forró, pois, como já expliquei antes aqui, a sonoridade de alguns grupos é muito difícil para quem vem ao forró pela primeira vez. Mas este é apenas um dos quesitos que moldam as opções do CANTO DA EMA por algo dito menos roots; os demais investimentos são na estrutura e no atendimento ao público.
Na estrutura, tentamos ser uma casa ainda melhor para atender a um público acostumado não apenas a forró, mas a todo tipo de música e por isso precisamos estar impecáveis para recebê-los, pois poderá ser uma chance única.
A outra disposição refere-se ao cuidado com os frequentadores habituais, criando para eles facilidades especificas para quem ama e gosta de frequentar o ritmo quase que diariamente, exemplos dos cartões preferenciais e fidelidade.
Por fim, investimos sério nas bandas, músicos e estruturas para eles, pois o músico, como qualquer profissional, produz melhor segundo as condições que a eles são dadas, por isso investimento sério em camarim, som, equipamentos em geral e sobretudo o cuidado com cada detalhe para que ele se sinta em casa.
Por tudo isso, não entendo o ódio que vi com respeito ao CANTO DA EMA em alguns comentários de, volto a dizer, forrozeiros irmãos ou irmãos forrozeiros. Somos, como eles, apaixonados pelo ritmo, a diferença é que não queremos ser gueto e sim mundo e para chegar nesse mundo precisamos estar todos juntos, por mais que tenhamos diferenças, pois Falamansa, Elba Ramalho e Bicho de Pé estão muito mais próximos do forró que eles amam do que Emicida, Detonautas, ou qualquer banda que vêm para festivais gringos (nada contra nenhum deles).
A vivência de amor e ódio entre forrozeiros e os frequentadores das casas de forró pouco ajuda.
Por isso, sugiro que as críticas com relação às casas diversas sejam mais conscientes e que a relação de amor e ódio com os demais que também fazem forró passe a ser apenas de amor, sem ódio, mesmo que frequentem apenas uma casa.
Em tempo: Dia 07/02 sairemos com o Bloco "A Ema Gemeu de Canto a Canto", tocando apenas forró, e apesar do nome remeter ao CANTO DA EMA é um bloco de forró, para nos divertirmos com forró e tal qual o ano passado invadir a Vila Madalena com forró. Para que todos fiquem mais à vontade o hino escolhido é do Messias de Holanda e o puxador do bloco será o trio que conversa com todas as tribos o Trio Dona Zefa!
Paulinho Rosa  (Dez/2014)