CANTO DA EMA E FORRÓ, REMÉDIO CONTRA CRISE!
Crise é muito chato. Não apenas as perdas financeiras e comerciais, mas sobretudo uma falta de ânimo, uma tristeza latente, aliada à falta de perspectiva, além do pessimismo que toma conta de todos.
Nesses 15 anos de Canto da Ema atravessamos algumas crises; por todas elas passamos ao largo, tranquilos, sobrevivendo e ajudando pessoas a sobreviver, proporcionando uma das diversões mais baratas e alegres da cidade, distribuído um pouco de lazer e descontração.
Talvez seja essa a herança cultural de um ritmo nordestino, que carrega consigo as letras todas dos parceiros de Gonzaga: a enorme força de vontade criada historicamente para vencer a eterna crise nordestina, seja ela a seca, o coronelismo, o machismo, o abandono, o pouco caso etc etc etc.
Mas desta vez parece que a coisa é pior. Muito mais do que crise econômica é também crise politica e, aparentemente, sem saída. Sem querer discutir politica neste espaço, me parece que a falta de uma perspectiva, seja ela qual for, desde que viável, transformou um pessimismo que sempre foi econômico em uma descrença geral, em tudo e todos. O fato é que pela primeira vez, no Canto da Ema, sentimos realmente pesada a mão corrosiva da inflação, falta de dinheiro, desemprego e moral baixa dos brasileiros.
Já falei outras vezes neste espaço sobre crise, mas sempre pelo viés da cultura e às vezes fazendo analogias com o futebol, já que sempre considerei a música brasileira e o futebol brasileiro dois alicerces do orgulho nacional: o primeiro pela variedade, qualidade e talentos inegáveis que nos coloca em um patamar das mais ricas culturas populares do globo. No futebol, por motivos sinônimos, o sustento desse mesmo orgulho se dava pela mesma qualidade e, também, pela variedade de jogadas e jogadores indescritíveis feita com talentos que até então pareciam inesgotáveis. Mas tanto uma como a outra nos deixaram na mão e ambos, futebol e música, que poderiam carregar um suspiro de esperança na moral do brasileiro também, já há algum tempo, caíram em desgraça, tal qual a economia e a politica.
Não sou dos que consideram tudo perdido. Acho que temos uma geração bacana de futebol chegando, assim como acho que algumas raras pessoas na politica e na economia podem salvar a combalida situação nacional, mas acho sobretudo que a música tem muitos e muitos grandes talentos reverberando uma tradição genial que foi forjada pela miscigenação étnica e cultural que nos proporcionou tanta música boa. Acho até que ela ainda pode nos redimir, o difícil é convencer a mídia a dar tal espaço para que isso aconteça.
Mas nós, aqui no CANTO DA EMA, temos certeza de estarmos fazendo a nossa parte: em nosso palco têm desfilado realidades do mundo da música brasileira que são ótimos e fazem jus à tradição incrível da nossa música. No mesmo espaço vêm surgindo e encantando uma gama de jovens músicos, a partir dos 15 anos de idade, que deixarão qualquer amante da música animado e extremamente otimista.
A revolução nunca deveria ser pela violência. A cultura ainda é mais forte e eficiente, é através dela que apoiamos nossas bases, com ela nos identificamos, e através dela que nos juntamos para expor as feridas causadas por irresponsabilidades e maus tratos, isso é histórico e sempre foi marcante em nossa breve história de país jovem.
Por isso sugiro, independente de interesses comerciais, nesse tempo de crise, que venha ao Canto da Ema. Além de muito tempo de diversão por um preço baixo, a sua moral e otimismo com o nosso pais pode ser restaurado.
Paulinho Rosa   (Nov/2015)