FULÔ DE MANDACARU
FULÔ DE MANDACARU

Eles agitam demais!
Tocam com a energia que o forró pede e o fazem com alegria, com vontade, sentindo e reverberando tudo isso para quem os ouve; tem sanfona, tem zabumba, tem triângulo, tem forró da origem, com uma descontração contagiante.
Fazem forró que dá orgulho de ouvir! Seu Luiz e seu Domingos devem estar com um baita sorriso vendo esses meninos botarem pra fora tanta energia sem perder um nada do que existe de mais tradicional na música nordestina. Aliás, tem um geração inteira fazendo forró que é de se arregalar os olhos e festejar como um gol de fim de copa do mundo.
Mas de tudo isso o que mais espanta, e anima, é o numero de excelentes presságios sobre um novo apoio ao forró tradicional. O Fulô de Mandacaru veio com tudo, assim como vieram vários antecessores nos programas anteriores àquele em que eles saíram dessa vez premiados, mas a coisa vai toda muito mais fundo. Na novela Velho Chico não apenas se toca forró, como se faz apologia do ritmo em detrimento das versões estilizadas; Chambinho e Lucy Alves aparecem como porta-bandeiras de um ritmo que se acostumou a ficar à margem da mídia nos últimos anos. A emissora ainda teve a coragem e correu o risco de ver a boniteza dos cantos de Xangai e Maciel Melo distribuídos poeticamente durante a trama.
Desde os fenômenos Falamansa e o Esperando na Janela com Gil, não se via o forró de maneira tão constante e de forma tão prazerosa e bem visto na telinha. Será que nesse mundo cíclico em que as modas vêm e vão conforme o passar dos anos chegou de novo a nossa vez?
Às vezes a gente fica apensando: faz 16 anos de Canto da Ema e nós, nesse tempo todo, vimos e revimos as gerações se sucederem, apaixonadas pelo ritmo sem tempo de mídia, sem apelação sexual, sem promoções absurdas, sem a força do dinheiro, tudo na raça , na garra, na verdade da paixão pela cultura brasileira, tal qual fizeram esses meninos de Caruaru, sem deixarem de ser eles mesmos. Pra chegar onde chegaram tiveram acesso apenas, provavelmente, à energia vinda do Alto do Moura e também aquela proveniente da famosa e gigante feira e ainda do São João, tão forte e tão grande como o maior festival de rock do país, embora sem os zilhões de dólares em cima e ainda a mídia toda babando em cima.
O forró persiste, esse talvez seja o melhor termo. Mas agora tem um novo respiro, fugaz talvez, como tudo nesta época de internet, de mídia social, com um exagero de imagens, filmes, notícias, programas, mas, de forma inconteste, é um impulso significativo, se não pro forró todo, ao menos para o Fulô de Mandacaru que, com certeza , deve respingar no forró de forma geral.
Sinto uma imensa alegria em saber que a banda de forró que ganhou venha de Caruaru, local mítico e histórico do ritmo e que andava meio apagado nesses últimos anos. A perda da identidade da principal festa se tornou uma vergonha para a tradição da cidade, mas ela agora poderá ser resgatada com a força e o merecimento de quem teve tantos e tantos inúmeros personagens do ritmo.
O nordeste de maneira geral retoma o cedro do forró nacional, o mesmo nordeste que briga tanto entre si por espaço e cachês e não vê que, tal qual o axé e o sertanejo, o melhor é juntar forças ao invés de dividir; as associações deveriam ser apenas associação e que todos possam ter ganhos através de uma luta conjunta contra os verdadeiros inimigos, aqueles que ridicularizam o forró usando o nome de modo espúrio e literalmente sem pudor.
Mas a hora é de felicidade e não de briga.
Parabéns ao Fulô! Não tenho procuração para falar por São Paulo ou pelo sudeste, mas aqui no Canto da Ema a felicidade é enorme. Agradecemos pelo que fizeram, pois muito mais do que ganhar um programa é recolocar o forró na primazia da cultura brasileira, é colocar o forró no nordeste com garra, é mostrar ao Brasil que vale a pena a tradicional cultura brasileira, que Gonzaga morreu e deixou um rastro de excelentes seguidores e um legado tão bonito, forte e intenso, como qualquer ritmo gringo tão mais valorizado em terras tupiniquins. Tomara que apareçam muitos Fulôs de Mandacaru, muitos Salas de Reboco, Forrós do Pote, forrós da Lua Cheia, forrós a rodo e que as programações do São João voltem a ter a cara e a coragem de investir no ritmo que é a trilha sonora oficial, o nosso querido forró.
Pernambucano Maciel Melo, baiano Xangai, paraibana Lucy Alves, Piauiense Chambinho, brasileiros em geral e sobre tudo vocês , irrequietos meninos de caruaru, Fulô de Mandacaru a bola da vez.
É o FORRÓ!


Paulinho Rosa   (Jul/2016)