ELBA RAMALHO, NICOLAS KRASSIC, MESTRINHO, FORRÓÇACANA, ZECA BALEIRO, MARIANA AYDAR E, AINDA, CHICO CESAR, TATO e DANILO RAMALHO
Eu não deveria escrever mais nada. O titulo, por si só, pelos personagens mencionados já bastaria para ilustrar o que tivemos no CANTO DA EMA no mês de dezembro.
Mas foi bem mais que isso! Para quem veio nos três eventos: Elba Ramalho com Mestrinho e participação de Mariana Aydar; Zeca Baleiro e por último o Forróçacana. já entendem que palavras jamais conseguirão descrever o que aconteceu.
A insuficiência de adjetivos me calam, mas a consideração pelos que perderam um, dois ou os três eventos me faz, aqui, querer relembrar, mesmo que de forma precária e incompleta parte desses shows saudosos.
O primeiro foi Zeca Baleiro que resolveu inclinar uma parte dessa genial e eclética carreira em direção ao Forró. Ele, preocupado com os rumos do ritmo, resolveu fazer uma espécie de "piloto" para um novo projeto. O que talvez ele não soubesse é que, nas entranhas do ritmo, existem personagens absolutamente cativantes e talentosos; assim, Zeca Baleiro, com seu carisma irresistível acompanhado de Cosme Vieira, Feh Silva e Damião fizeram um "relabucho" daqueles que vão deixar saudades por muito tempo.
Não bastasse a sinergia que houve entre eles e o que fizeram no palco, ainda houve as participações incríveis, todas elas, de Mariana Aydar, Vanessa Bumagny e Tião Carvalho.
Depois veio o dia nacional do Forró e junto com ele uma comemoração muito especial com ninguém menos que Elba Ramalho e Mestrinho e a participação, mais uma vez, para nossa alegria, de Mariana Aydar.
Elba, como já é tradição, entrou no palco como quem entra na casa dela; à vontade com a casa, o público e os músicos, soltou inúmeros clássicos da cultura nordestina devida e divinamente acompanhada por uma das bandas mais completas de forró da atualidade: Mestrinho e sua banda anônima.
É impressionante o que duas energias tão poderosas realizam quando se encontram. A Paraibana parece que canta com a banda há algumas décadas e sua espontaneidade e despojamento fazem com que as músicas reverberem pelo público em uma verdadeira catarse de festa, alegria e forró.
Tudo isso seria já maravilhoso se fosse "apenas" isso, mas teve mais, muito mais. Do nada, ou melhor, provavelmente do Olimpo, Chico Cesar apareceu e subiu no palco de sua comadre tornando o palco quase uma sala de estar. Logo depois foi a vez de Tato (Falamansa). Afinal um dos maiores responsáveis pela reviravolta pelo qual passou o forró dos anos dois mil pra cá, não poderia faltar de modo algum. Por fim, tivemos ainda a participação emocionante e emocionada daquele que é um dos símbolos do Canto da Ema , o cantor Danilo Ramalho do Trio Dona Zefa, aquele que, há anos, faz os domingos, a festa junina, o carnaval, o natal e, quem sabe, já já a festa de fim de ano também....(Não é uma boa idéia?)
Já tínhamos, nesse momento, um dezembro especial. Mas, pra arrebatar de vez, ainda contamos com a banda Forróçacana, um dos maiores xodós do forró no sudeste. A mítica banda, que acabou, mas sempre retorna para eventos esporádicos, teve a chance, desta feita, de tocar em um espaço que já conheciam bem, embora a última vez tinha sido há 10 anos quase exatos. A volta deles trouxe, como o vocalista Duani mesmo disse, uma espécie de "déjà vu", como se o tempo, na verdade, não houvesse passado e a banda continuasse tocando da mesma forma, com a mesma dinâmica, o mesmo talento, as mesmas músicas e o público atuando da mesma forma, numa quase histeria coletiva, cantando, vibrando, dançando, aplaudindo de forma uníssona e feliz. Mais uma vez, a energia de ambos os lados fez emocionar.
Foi um dezembro diferente, embora adoremos os iguais, pois reverenciamos as nossas bandas do dia-a-dia como o que temos de mais significativo no forró atual. Ficamos muito felizes, contudo, com esses sempre bem vindos intrusos.
O Forró precisa deles, como precisa das bandas que não têm tanta projeção. Esse conjunto de coisas, bandas e músicos com certeza, fará com que mais e mais pessoas gostem do forró.
Para nós, do Canto da Ema, foi o fechamento mais feliz possível de um ano nada fácil, para nós e para o Brasil....mas foi a certeza de que a opção ser Forró, o máximo possível, vale demais a pena!
Que venha 2017. Todos eles deverão voltar ao Canto.
Paulinho Rosa  (Dez/2016)