NEM CARUARU NEM CAMPINA GRANDE
Enquanto as duas importantes cidades do agreste nordestino se estapeiam para decidir qual delas tem o São João mais importante, São Paulo, comendo pelas beiradas, vai ocupando conceitualmente essa posição.
Os festejos juninos têm por tradição o FORRÓ, como principal ingrediente das comemorações. É claro que junto com ele vêm as quadrilhas, as comidas à base de milho, as fogueiras e até os proibidos balões e os perigosos fogos de artificio, mas, inegavelmente, a relação mais evidente é a de um bom arrasta-pé acompanhando tudo isso.
As citadas cidades nordestinas se perderam na ambição politica e na ausência de preocupação cultural deixando a curadoria das festas optar por qualquer ritmo, seja ele Axé, sertanejo, Brega, ou qualquer outro que dê público, dinheiro, fama e, ainda, reforce as caixas e principalmente os votos em futuro próximo.
Na contra mão disso tudo, São Paulo mantêm-se fiel às tradições dos festejos, talvez porque, aqui, não temos festas megalômanas, talvez porque o forró tenha vindo de baixo, de movimentos pequenos, que eclodiram de forma gradual e mais, literalmente, enraizada.
Hoje é difícil dizer que o que ocorre em Pernambuco, Paraíba e demais cidades nordestinas sejam festejos de São João. São festas, são grandes festas inegavelmente, mas será que são os tradicionais festejos juninos?
Na capital paulista, as festas são menores, mais acanhadas e com uma certa ingenuidade daqueles que ainda fazem apenas pela alegria e pelo festejo. São Paulo ainda não atentou para a força financeira que essa festa pode ter e isso é muito bom. Várias escolas, paróquias, movimentos de bairros e casas tradicionais do FORRÓ fazem o evento acontecer na cidade: as bandeirinhas ditam a demarcação do espaço, as roupas matutas, muitas delas falsamente remendadas, e mais os bigodes de carvão, as marias-chiquinhas grudadas em chapéus de palha definem o estilo de se vestir, as comidas e bebidas, com nomes diferentes do nordeste, se espalham fazendo a alegria de muitos além de enganar o frio da cidade paulista e, acima de tudo isso, o FORRÓ tradicional desde o tempo de Gonzaga dita o rimo da festa...Olha pro céu meu amor.....
No CANTO DA EMA, uma das mais tradicionais casas de FORRÓ do país e uma da referências, até internacionais do gênero, as festas juninas são um sucesso. Das comidinhas típicas, decoração primorosa, as mais bagunçadas quadrilhas de que se tem noticia, a alegria impera à frente dos quadros daqueles que reinaram por tanto tempo nesses festejos : Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, João Do Vale, Pedro Sertanejo e Osvaldinho do Acordeom.
O Canto da Ema faz duas festas anuais,: a primeira é um grande esquenta que tem se tornado tão importante quanto a festa mais próxima de São João e que este ano vai ocorrer no dia 11 de junho com a banda DOIS DOBRADO e a segunda, pra valer mesmo, no dia 25 de junho com o TRIO DONA ZEFA.
Não sei se aqui, no Canto, é melhor ou pior que as demais festas de São Paulo e as demais festas pelo Brasil; o que sabemos é que é, sim, muito boa, muito divertida e prá lá de animada, e mais, podemos afirmar que tem FORRÓ de verdade!
Paulinho Rosa   (Mai/2017)