Azulão e Dominguinhos
Vocês já leram neste espaço por diversas vezes o orgulho que temos em ser uma casa de forró. Não somos, nem pretendemos ser uma casa de espetáculos, somos assumidamente forrozeiros e por isso todos os nossos esforços vão neste sentido: proporcionar o máximo que a pessoa pode ter dentro do ritmo criado pelo, daqui a pouco, centenário Luiz Gonzaga.
No mês que passou tivemos vários bons momentos. É muito ruim destacar algum, porque todos por aqui merecem muito respeito e carinho, mas não há como negar que duas atrações acabaram tendo mais destaque.
Uma delas foi um artista que pela primeira vez, nestes quase 12 anos de história, o forró do Canto de Ema trouxe para seu palco. Ele era esperado e admirado há muito tempo, mas nunca havíamos obtido êxito em trazê-lo. Estamos falando de um quase Rei de Caruaru, cidade do agreste pernambucano e que ostenta o título de capital do forró, o cantor Azulão de Caruaru.
Este pequeno grande homem de prováveis 1,50m e um vozeirão que espanta ao abrir a boca, quase sempre sorridente, é um verdadeiro fenômeno de simpatia e talento. Azulão chegou ao Canto da Ema acompanhado de filho e sanfoneiro. Azulinho, o filho também cantor, conduz as ações durante o forró, é ele quem comanda o que cantar e quem canta, já que divide com o pai algumas das canções. Mas não temos como negar que a grande ansiedade era mesmo ver Azulão soltando sua voz em clássicos que o público sabia de cor: Nega Buliçosa, Canção do Roedor, Dona Tereza, Barra dos Coqueiros e por aí vai.
A expectativa ficou bem aquém da realidade, Azulão foi muito mais do que dele esperávamos. Cantor de primeira, um mestre dos palcos na arte de comunicação com o público, cantou até rock e hipnotizou os que o esperavam.
Durante todo o forró ele fez o povo dançar e cantar. Ele mesmo cantou e dançou, correu, riu, brincou e deixou a vontade de uma volta breve.
A outra grande atração foi um velho e queridíssimo conhecido da casa, que carinhosamente gostamos de chamar de nosso guru, pois quando o maior nome de uma determinada coisa diz algo, a nossa obrigação é ouvir e seguir.
Dominguinhos voltou ao palco do Canto de Ema depois de uma longa ausência devido ao período que ficou no nordeste. Ele não poderia ter voltado melhor.
Esbanjando bom humor, contando histórias, trazendo músicas que não costuma tocar, fazendo solos incríveis e emocionando a plateia como nunca havíamos visto antes. É difícil dizer, mas talvez tenha sido o mais emocionante show que tenha dado no Canto de Ema.
Dominguinhos é sempre cativante, mas algo estava diferente nesta noite, ele parecia mais emocionado por estar tocando e levou literalmente ao delírio a casa lotada de incontestes.
Dominguinhos é quem é porque sempre foi um incomparável sanfoneiro, ótimo cantor, excelente compositor e uma pessoa das mais doces que alguém pode conhecer.
No domingo em que fez o show ele fez tudo isso de novo e um pouco mais, difícil explicar o quê, mas quem estava na casa aquele dia sabe disso.
Agora é só esperar o próximo.
Que bom que escolhemos fazer uma casa de forró!
Paulinho Rosa  (Set/2012)