Frutificando
A maioria dos grandes nomes do forró já se foi; Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, a principal formação do Trio Nordestino, João do Vale e por aí vai, do pessoal que sempre foi da base do ritmo que o criou, fez a fama e divulgou para todo o país e o mundo. Dessa base ainda temos Dominguinhos, Genival Lacerda e Parafuso de Os 3 do Nordeste.
No mais temos as gerações posteriores que abraçaram o forró e continuam fazendo a beleza dessa importante peça da nossa cultura.
Mas não quero agora falar dos grandes nomes que vieram logo a seguir, nem mesmo do lado "b" do ritmo, que são músicos pouco conhecidos do público em geral e mais cultuados pelos fãs do gênero. Quero é falar dessa novíssima geração que vem por aí arrebatando os mais aficionados.
Também não acho que estes devam ser comparados com os que iniciaram o ritmo, na verdade comparações são sempre muito complicadas, por vezes injustas e dependem demais do que vai comparar, como e sob qual ângulo, além, é claro, de termos que sempre levar em conta preferências pessoais, difíceis de serem postas de lado quando somos apaixonados por este ou aquele. Lembrando ainda que os arranjos mudaram o jeito e a forma. O mundo andou e junto com ele o gosto das pessoas e dos especialistas e técnicos em músicas, por isso a sonoridade também mudou, sem contar dos avanços tecnológicos que também impõe diferenças gigantescas.
De qualquer maneira aqueles primeiros que citei, sobretudo Gonzaga, criador do baião, Jackson, o rei do ritmo e o primeiro a misturar vários deles, Dominguinhos, mestre sanfoneiro e totalmente ligado ao forró, e Marinês, conhecida como a melhor cantora nordestina, soam quase unanimidades, mas embora o trabalho deles seja eterno, a vida não é e o forró precisa prosseguir. Salvo Dominguinhos, prestes a lançar mais um CD e terá ainda pelo menos mais uns 20 anos de trabalho profícuo, precisamos nos atentar às novas gerações, dando força, valorizando e divulgando. Não por piedade ou dando chance, mas porque reconhecidamente tem muita gente talentosa "beirando" o forró. Falo de inúmeros! O termo é este mesmo, inúmeros músicos, bandas e trios cada um com características próprias trazendo novos valores de norte a sul do país.
É, de certa forma, leviano de minha parte citar nomes, provavelmente esquecerei alguns, mas existem vários e vários excelentes exemplos de bandas iniciadas de dez anos para cá que merecem ser ouvidas com muita atenção: Trio Alvorada, Trio Dona Zefa, Três do Forró, Trio Remelexo, Trio Candieiro, Ó do Forró, Flavinho Lima, Sinhá Flor, Trio Bastião, Os 4 Mensageiros, Raízes do Sertão, Chá De Zabumba, Fim de Feira, Mariana Melo, Maria Filó, Trio Juriti, Mestrinho, Cezinha, Dona Zaira, Diego Oliveira, Trio Macaíba, Pé de Mulambo, Família Virgulino... Como disse antes, mais um monte de gente que eu me esqueço agora, mas que vem fazendo forró muito bom.
Segue aqui, como sugestão de quem quer conhecer bem o ritmo e mantê-lo sempre em alta: ouvir sempre os tradicionais, pois eles são a base de tudo e têm que estar sempre em evidência, mas também ouvir as gerações posteriores que são fantásticas e escutar as atuais com muito cuidado, pois tem gente de muita qualidade vindo por aí.
Para quem for a shows, façam o mesmo: quando puderem vejam sempre Dominguinhos e Genival, pois são imperdíveis, vejam também Elba, Geraldo Azevedo, Alceu e etc. Não se esqueçam de Edson Duarte, Azulão Trio Nordestino, Trio Sabiá e Trio Virgulino e etc,. Também é importante sempre ouvir e ver o Falamansa , Rastapé , Bicho de Pé e etc, mas prestem muita atenção a toda essa nova geração que faz um forró delicioso de se ouvir e dançar.
O forró pode até não aparecer muito na mídia, mas no seu Canto ele se mantém muito vivo e frutificando cada vez mais. Uma hora alguém importante percebe a qualidade do que está acontecendo e mais uma vez o ritmo reaparece nacionalmente com a força que merece.
Quem sabe o centenário de Luiz Gonzaga não seja um bom mote.
Paulinho Rosa  (Jun/2012)