100 Editoriais
Desde maio de 2003, quase que mensalmente, já que houve algumas faltas e uma repetição, venho colocando aqui a minha opinião, que é de certa forma, a opinião da casa a respeito de diversos assuntos referentes, não apenas ao CANTO DA EMA, mas também ao forró de maneira mais genérica.
A idéia de começar esta página foi da necessidade de dividirmos um pouco com nossos inúmeros clientes o que pensamos. Por vezes acho bom explicarmos decisões, opções e determinações que movem o que muitos chamam carinhosamente de segunda casa. Também damos opiniões sobre o forró, pois como apaixonados que somos sempre temos um pitaco a dar sobre o que acontece com o ritmo, mesmo quando não somos convidados a falar: coisa de gente apaixonada.
Não é e nunca foi fácil escrever, pois temos que tomar todo o cuidado do mundo para não ofender opiniões contrárias e não tentar bater de frente, mesmo porque verdade não existe. Queremos apenas colocar nossas opiniões e explicá-las, mesmo que não concordem, é importante saber que nada tem sido feito de graça e aleatoriamente. Tudo que fazemos tem sido pensado com cuidado, para respeitarmos você que escolheu o CANTO DA EMA para vir se distrair e esquecer o dia a dia em momentos gostosos ao som de um bom forró. Também nos preocupamos com o conteúdo do que escrevemos a respeito da cultura nordestina, pois sabemos que a casa, como referência de forró, acaba tendo seu site visitado por inúmeras pessoas que querem conhecer mais do ritmo e por isso nos vemos a volta pesquisando e tentando contribuir cada vez mais para o avanço do forró.
Seria bom lembrar que forró não deve e não pode ser objetivo máximo da vida de ninguém, mesmo daqueles que como eu trabalham com o ritmo, ou mesmo para músicos, pois além disto, existe família, saúde, outras diversões, além de paixões que dividimos. Sabemos bem que ele ocupa uma parcela grande do coração de muitas pessoas e que estas passam a ver como quase uma necessidade, quase como um amante, e como tal as pessoas passam a ter uma certa possessão, além de um pouco de ciúme e nessas horas ver outra pessoa tratá-lo de uma forma que não considera adequada pode ser uma ofensa que cega e dói, mas que se pararem para pensar bem o forró é grande, tem diversidade, formas e jeitos diferente de fazê-lo, e que o importante é cultivá-lo sempre, mesmo quando parece um pouco diferente do que esperamos. Exemplos claros disso são de bandas tão díspares na formação e conceito, mas tão forró umas como as outras, senão como juntar todos no mesmo ritmo: Forroçacana, O Bando de Maria, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Bicho de Pé, Ó do forró, Trio Dona Zefa e por aí vai...
Escrever aqui passa por tudo isso, por falar de bandas, movimentos, conceitos, concepções, contar um pouco de histórias e vivências desses mais de 20 anos labutando nesse meio. Lembrar das diversas emoções: de todas as vezes em que Dominguinhos esteve na casa, da visita querida de Dona Marinês, da sempre divertida e alegre participação de Genival Lacerda, de termos lançado discos importantes, como o primeiro de Mayra, filha de ninguém menos que Antonio Barros e Cecéu. Lembro de todas as festas de aniversário, das concorridíssimas festas de fim de ano, das polêmicas sobre discotecagem, bandas e roots. Claro que a inauguração vem à cabeça, com Dominguinhos e Falamansa. Adoramos lembrar das convivências duradouras que tivemos com Arleno farias, Triângulo Caraíva, O Bando de Maria e hoje ainda com Trio Sabiá, Virgulino, Bicho de Pé e Trio Dona Zefa, enfim, como diria um outro rei, Roberto Carlos, são tantas emoções!
Agora o nosso site tem concorrência direta de redes sociais, mas ainda assim é muito visitado por quem quer saber sobre CANTO DA EMA e sobre forró, por isso, mais que nunca juntamos ambos para fazer a informação chegar cada vez mais para os que querem conhecer a casa e o forró.
Quero aproveitar este número simbólico, o 100, para deixar aqui ou no Facebook, uma linha direta com os leitores destes textos e os frequentadores da casa. Quero possibilitar opiniões e sugestões de temas e do que mais acharem interessante colocar. De forma sempre aberta e democrática, pois, como sempre dizia nosso agora quase também centenário, Luiz Gonzaga: "Mas respeita o povão!".
Paulinho Rosa  (Mar/2012)