Dezembro Especial
Dezembro é um mês estranho, mas sempre será um mês para lá de especial pro forró. Afinal, é o mês do aniversario de Luiz Gonzaga e , conseqüentemente, o mês em que comemoramos o dia nacional do forró.
Não tem sido um mês de grande freqüência de forrozeiros e isso não sabemos bem explicar; talvez a maioria ache que a compra de presentes de natal, o encerramento do período de trabalho, as últimas provas de faculdade, e por ai vai, sejam coisas mais importantes do que ir dançar forró, coisa que discuto veementemente. Mas nem quero entrar nessa discussão. Quero é contar que, apesar de ser um mês fraco de público, este dezembro foi um mês com vários forrós deliciosos e com, pelo menos, duas festas excepcionais.
A primeira, embora eu não estivesse presente - mas sei por relato do meu sócio, dos músicos e diversos clientes - foi uma festa fantástica, digna das comemorações e dos motivos a que se propôs. Mais uma vez, o encontro dos dois mais tradicionais e importantes trios do país resultou na química esperada e numa alegria incrível de todos os presentes, ainda mais porque estava turbinada com a presença de um dos mais queridos trios da nova geração, o requisitadíssimo Trio Dona Zefa.
Eu estava em Exu, terra onde nasceu Luiz Gonzaga, com meu coração palpitando a cada acorde que Dominguinhos dava na sanfona, mas também com um pequeno vazio de saudades e vontade de estar no nosso querido Cantinho aproveitando a festa que por aqui transcorria de forma deliciosa.
Lá, rodeado de grandes amigos forrozeiros como Flavio Leandro, Targino Gondim, além de Flavinho Lima, Liv Moraes e demais músicos que acompanhavam Dominguinhos, pude entender, ainda mais do que já sabia, que o forró nem de longe se resume ao nosso gueto de Pinheiros com algumas rebarbas em outros bairros. Lá percebi bem o quanto ele é grande e se beneficia de uma história maravilhosa, com personagens inesquecíveis, com um gênio/mestre no palco e diversos conhecedores do ritmo que, em muitos casos, participaram da vida do rei do baião e de outros importantes nomes do nosso querido ritmo. Mas também percebi o quanto este tamanho traz ônus e notei que, tal qual aqui em São Paulo, existem algumas divisões nefastas ao ritmo. Não pelos mesmos motivos, mas uma briga por importância, dinheiro e espaço, para um ritmo que embora seja gigante como relevância e conhecimento em todo o país, é um anão se pensarmos em mídia e patrocínios.
Mas não é disso que quero falar e sim dessas festas de dezembro.
Além da comemoração do 13 de dezembro, tivemos também, mais uma vez, uma festa com nossa diva: ELBA RAMALHO, que veio de novo arrecadar fundos para a ONG Bate Coração que ajuda crianças necessitadas. O convidado da vez foram nossos velhos conhecidos e queridos amigos da FALAMANSA, a banda de maior sucesso de forró da história e diretamente responsável pelo ressurgimento do ritmo em todo o pais no inicio do século XXl.
Curiosamente, este encontro é um encontro dos dois personagens que deram ao forró uma qualificação melhor na mídia. Nos anos 80, foi Elba Ramalho quem conseguiu colocar o forró nas mais importantes emissoras de televisão trazendo-o para os lares de todos os brasileiros, democratizando o ritmo que ficava confinado em pequenos espaços nas pequenas emissoras. Vinte anos depois, o Falamansa foi responsável por fazer o mesmo de uma forma avassaladora, tomando o país de cabo a rabo, invadindo festas, casamentos, batizados, shows de outros ritmos etc, o Brasil inteiro riu à toa e nós que trabalhávamos com forró ainda mais.
O show foi dia 20, já bem próximo ao Natal. Havia todo um clima festivo; por falar em clima, o céu estava claro e fazia um calor típico de verão brasileiro. O Canto da Ema se preparou para uma grande festa, mas, pra sermos bem sinceros, nem de longe imaginávamos o que estava por vir.
Já na chegada, Elba, ao entrar pelo salão e passar pela porta que dá na cozinha e camarim, já soltou um "aqui eu estou em casa" e foi justamente assim que se colocou, esbanjando simpatia e energia por onde passava. Entrou no palco por volta da meia noite e meia e dançou, cantou, pulou, rodopiou como nunca havia feito antes no Canto da Ema. Cantando músicas de Dominguinhos, Flavio Leandro e Petrucio Amorim, fez a casa, lotada, cantar com ela. E quando anunciou que cantaria o hino do nordeste e todos levantaram as mãos, foi de arrepiar ouvi-la cantar, acompanhada do coro do Canto da Ema, as primeiras frases de Humberto Teixeira, no clássico Asa Branca, em parceria com Luiz Gonzaga.
Depois veio a Falamansa e Tato que, após cantar duas com Elba, soltou seus grande sucessos, todos acompanhados mais uma vez pelo nosso afinadíssimo coral de centenas de vozes.
Dezembro é um mês estranho mesmo, mas é maravilhoso e fico aqui pensando na festa do dia 23, última do ano, pois escrevi o texto pouco antes.
Alguém poderia escrever dizendo como foi, no facebook do Canto, ou mandar email para nós?

Até 2012! Um feliz natal e ano novo com muita saúde, amigos e forró pra toda gente!
Paulinho Rosa  (Jan/2012)