Encontro Arretado
São contemporâneos, um 13 anos mais velho que o outro, mas ambos têm muitos sucessos. Hoje é difícil falar qual é o mais querido, mas também para quê procurar isso se temos ambos e recentemente bem juntos como aconteceu no palco do Canto da Ema dia 29 de outubro de 2011. Um dia inesquecível daqueles que não sairão da mente de quem esteve presente.
A história desse encontro vem de muito tempo, pois faz parte da trajetória de ambos. O Trio Nordestino já era um sucesso quando Os 3 do Nordeste apareceram, mas este , com uma qualidade incrível, com Zé Pacheco na sanfona, Zé Cacau de triangleiro e Parafuso na zabumba chegou fazendo barulho, num forró arretado, desses de não deixar ninguém parar quieto.
Por outro lado o Trio Nordestino, até então quase que dono único do pedaço, tinha na sua formação três grandes músicos como Lindu, Cobrinha e Coroné, e era reverenciado no país todo e principalmente no Nordeste.
Os dois tinham a mesma formação de trio tradicional de forró: com sanfona, zabumba e triângulo. Os dois tinham bons músicos e principalmente repertório de fazer bailes de forró o dia todo sem repetir uma única música e mesmo assim só tocar sucesso.
O tempo passou e muita coisa mudou. O forró perdeu muito espaço e depois recuperou. Seu Luiz se foi, Jackson também, Lindu, Zé Pacheco, Cacau, Cobrinha e por último Coroné passaram a tocar em outra esfera, se é que ela existe, mas deixaram aqui um rastro de alegria, excelentes forrós e músicas que hoje todos cantam. Inclusive seus sucessores diretos no Trio Nordestino e no Os 3 do Nordeste.
Na bonita história de ambos, eles se cruzaram diversas vezes. Neste país quase mundo, as estradas são relativamente curtas para quem é saltimbanco e encanta tantas e tantas platéias. Nos meses de São João eu fico imaginando quantos trios e artistas de forró acenam uns para os outros se encontrando no meio de estradas esburacadas, cheias de poeira, mas que levam estes grandes artistas populares ao encontro de pessoas ansiosas por música, festa, diversão e forró.
Trio Nordestino e Os 3 do Nordeste como dois dos mais requisitados, devem ter se cruzado inúmeras vezes, mas raríssimas foram as oportunidades de estarem juntos, frente a frente conversando e principalmente tocando.
Nessa longa jornada de ambos pelo forró sempre existiu um misto de admiração e uma certa rivalidade de ambas as partes.
Hoje os trios estão bem mudados, dos seis músicos que iniciaram ambos, apenas Parafuso ainda está presente: ele toca, faz coro e discursos emocionantes. Coube a ele junto com Deda, Adriano, Luiz Mario Beto e Coroneto a dar sequência à história.
Quando tivemos a idéia de fazer um show com ambos parecia algo inusitado, mas factível e nem tão novo assim. Colocá-los juntos em um mesmo palco com cada um dos cantores cantando a música do outro é que realmente era diferente.
Falei antes com Os 3 do Nordeste que acolheram a idéia mas não sem antes fazer uma ligeira cara de estranheza, coisa que durou pouco, alguns segundos apenas.
Depois foi a vez do Trio Nordestino, a mesma reação foi notada, mas a aceitação também foi rápida. Depois de uma breve conversa com ambos chegamos à conclusão que as músicas tocadas seriam: Chililique e É Proibido Cochilar.
Outra dúvida era quem continuaria o show, como ambos não tinham preferência foi feito um sorteio e coube ao Os 3 do Nordeste seguirem o evento, e assim foi feito.
Daí em diante quem veio saberá do que estou falando. A cortina se abriu e na cara de todos foram 93 anos de história e muito, mas muito forró para todos. Os trios mais importantes do ritmo criado por Gonzaga juntos, alegres e surpresos com a gritaria histérica de uma platéia ensandecida pelo inesperado que se apresentava, mas também pela alegria e emoção de ver algo que até então nunca havia acontecido. Foi de arrepiar ouvir os primeiros acordes de Chililique e o Canto da Ema inteiro entoando os primeiros versos da canção. Depois veio o É Proibido Cochilar e a festa se manteve no mesmo ritmo e alegria. A coisa toda só diminuiu lá pelas 04h40min da madrugada quando Luiz Mario do Trio Nordestino se despediu.
Foi uma noite e tanto, dessas que nós do Canto da Ema ficamos imensamente felizes de realizar. Nós que amamos o forró procuramos sempre criar mais e mais eventos que o façam parecer forte e saudável como anda acontecendo.
A noite acabou e ficou o discurso bonito do único remanescente das formações originais dos dois trio, o Parafuso, que falou em prol da união do forró, do bem do ritmo e da alegria de fazer a festa com tantos e tantos jovens que passaram a venerar o Os 3 do Nordeste. Com muita humildade também falou muito da importância do Trio Nordestino, da história importante com Lindu e Cobrinha, a fase de Genário e agora com Luiz Mario, Beto e Coroneto.
A palavra união ficou marcada e é isso que esperamos dos forrozeiros em muitas festas que ainda virão e que estamos preparando.
E para quem está com raiva de ter perdido a noite um aviso importante: eles já aceitaram repetir!
Paulinho Rosa  (Nov/2011)