Bicho de Pé Ltda
Infelizmente durante cerca de um mês não teremos a banda Bicho de Pé no Canto da Ema. É triste, mas teremos que aguentar a saudade, pois eles vão para a segunda turnê européia em anos consecutivos.
Ao contrário da maioria das experiências vividas por trios e bandas de forró que chegam ao velho continente e têm diversos reveses como: a língua, cachês, transporte, número de shows, alimentação e, sobretudo, lidar com um monte de pseudo produtores fazendo pseudo produções, o Bicho de Pé conseguiu fazer da turnê uma boa fonte de rendimentos. Não que vão ganhar um dinheiro fantástico, mas vão com um planejamento de dar inveja. Não é a curto prazo. Segundo Daniel, baixista e produtor da banda, o ano passado, que foi o primeiro, foi o ano de abrir as portas, de se mostrar para casas e produtores de diversos países, mesmo sem ganhar significativamente, foi apostar nas próprias fichas, ou seja, no talento que sabem que têm e esperar pelos dividendos nos anos seguintes. Foi o que fizeram em quase 17 shows por seis países. Tocaram, se divertiram, viajaram e mostraram a competente mistura que fazem com diversos ritmos, tendo o forró como carro chefe e juntando samba, samba-rock e pitadas de diversos outros ritmos.
Foi uma viagem feliz, pois o intuito era esse, e claro, passear um pouco por terras européias, coisa que faz muito bem a qualquer mortal.
Mas o mais importante é notar a virada que deu a banda nos últimos anos, após um início meteórico pegando carona na explosão do Falamansa no começo do ano 2000, o Bicho de Pé se encolheu claudicando na péssima administração da carreira e quase vendo o fim chegar.
Tudo mudou quando resolveram assumir o próprio destino, esquecendo um pouco o glamour de músico e da boemia e tirando o bumbum da cadeira para assumirem eles mesmos a gestão empresarial, dando assim uma virada na própria história, tornando-se uma das mais bem sucedidas bandas de forró do sudeste.
Com retidão, simpatia, talento e muita bagunça no palco, e apenas nele, são presença obrigatória em várias cidades que têm importantes casas de forró como São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Brasília, Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador, além de outras cidades pequenas e médias, e agora até em Paris, Frankfurt, Torino, Londres, Lisboa, Zurich, Helsinque e Berna.
Este ano, lá se vão eles de novo. Ainda sob o prisma empresarial do produtor, não será desta vez que vão ganhar dinheiro, mas estão conseguindo ampliar os horizontes, indo tocar em casas maiores, com maior prestígio, mais pessoas, melhores cachês e levando o novo CD na bagagem, já se preparando para o ano seguinte quando devem começar a voltar com Euros no bolso, além da bagagem cultural, a alegria da viagem e o espírito mais leve e tonificado após 30 dias de ares diferentes esquecendo os problemas do cotidiano.
Quando a viagem cansar, já estarão de volta ao Brasil e é claro ao Canto da Ema.
Alguém pode achar que estou escrevendo contra os produtores contratados, mas não é isso, muito pelo contrário, torço para que em breve as bandas todas necessitem de produtores, mas a maioria ainda é muito pequena e a autogestão pode ser o melhor caminho para que elas alcancem os objetivos de tocar em diversos lugares e mostrar serviço, pois sabem exatamente onde e quando afrouxar as negociações, onde devem ser duras ou mais maleáveis, pois estão construindo o sucesso, o que é muito difícil conseguir.
Na esteira do Bicho de Pé está um dos trios de forró que mais tocam atualmente: o Dona Zefa. Trio requisitadíssimo, também é gerido por um dos músicos, o Danilo. Recentemente o Trio Nordestino dispensou seus empresários e também passou a cuidar da própria vida. Curiosamente são dois casos similares em que a autogestão permitiu que chegassem a uma agenda mais recheada.
Paradoxalmente o Bicho de Pé, em breve, deverá ter que ter um produtor, às vezes a banda chega a um tamanho que já não é possível conciliar atividades.
O Daniel Teixeira, produtor, diz que não, que ele seguirá gerindo os destinos do Bicho ou pelo menos direcionando para um funcionário contratado os rumos a seguir, isso, é claro, se a banda continuar na ascensão que está.
Tomara, vamos torcer para isso, pois o crescimento de qualquer banda é também um forte estimulo para o crescimento do forró e, se tudo der certo, já já eles serão muito grandes para o Canto da Ema.
Por isso aproveitem bem, em maio tem Bicho de Pé de volta!
Paulinho Rosa  (Abr/2011)