2398 dias de Forró - História de Pessoas
Fizemos um exercício de contagem dos números do Canto da Ema nesses 10 anos. Nem todos verídicos, mas alguns bem próximos e outros provavelmente aquém do que deve realmente ter acontecido, mas vale à pena acompanhar:
Muito próximos do real:

2.398 dias de forró (até o dia 02 /10/2010);
13.943 horas;
278.860 músicas tocadas na casa entre forrós, xotes, baiões, xaxados, arrastapés, calangos, cocos e até maxixes, além de alguns poucos sambas, choros e rocks;
109 bandas, trios e artistas solo;
1.199.000 pessoas passaram pela casa;
719.400 litros de bebidas consumidas;
1.464.683 Visitantes e 2.512.951 Visitas no site desde 2001
Sem comprovação documentada:
1.398.747.542 beijos trocados;
349 casamentos de relacionamentos que aqui se iniciaram;
299 crianças frutos do Canto da Ema;
8.976.735.321 sorrisos dados.
Verdadeiros ou não, acabamos percebendo que mais do que uma casa de forró, é um espaço onde acontecem histórias de pessoas. Sabe quando você vai a cidades históricas ou templos milenares e sente que muita coisa ali aconteceu e o ar parece mais denso como se a vida pregressa que ali se estendeu por diversas e diversas gerações de alguma forma são sentidas? O Canto parece que vem se tornando algo assim.
Tudo bem que algumas poucas pessoas talvez sejam responsáveis por boa parte dos números sem comprovação, mas de qualquer maneira são números, e números são fatos e deles é difícil discordar. Claro que voltarei a falar como já fiz anteriormente dos casais e amigos que ali se formaram, afinal estou mais sensível devido aos dez anos e, em virtude disso, comecei a relembrar diversas histórias, pessoas e grupos que se formaram aqui nesse tempo todo
Desde o início, quando tínhamos um espaço no site de discussões e várias e várias pessoas participavam de forma apaixonada, como se o "Canto" fosse vital em suas vidas. Chegamos a fazer reuniões com grupos com mais de 20 pessoas que traziam críticas, reclamações e sugestões a casa, já que estavam sempre conosco e sentiam-se, de certa forma, também responsáveis pelos rumos a seguir.
Nas reuniões pautas tradicionais como discotecagem, bandas, carteirinhas do Canto e etc., nada muito diferente de hoje. As pessoas participavam mesmo e era muito legal. Algumas pessoas desse grupo vez por outra ainda aparecem, algumas com saudades, outras porque de alguma forma o forró continua a fazer bem, outras ainda vêm com os respectivos cônjuges ou namorados que aqui encontraram e retornam como que pra recarregar aquela sensação do início de relacionamento. (Outras ainda, vêm com os novos namorados para apresentar o canto da ema, e nós ficamos torcendo para que ele(a) goste também)
Tivemos várias outras turmas que se formaram, não tão ligadas às questões do Canto, mas procedentes das coisas aqui vividas, pessoa de origens, bairros e até cidades diferentes. Pessoas que jamais se conheceriam ao acaso, pois vêm de experiências de vidas completamente diferentes, algumas vezes de classes sociais e culturais muito distantes, mas que encontraram um Canto da Ema no meio do caminho ou da vida, se assim preferirem.
A única coisa ruim dessa história toda é que as gerações se sucedem, ou seja, elas aparecem, se conhecem, criam relacionamentos e quase sempre nos abandonam seja pelo motivo que for, mas que geralmente é namoro, casamento ou, em menor número, trabalho ou viagem. O que sabemos é que nós ficamos e passamos a ter novos amigos das novas gerações que começam aqui frequentar. Nem sempre são exatamente gerações, mas grupos novos, às vezes com pessoas até mais velhas do que as que recentemente deixaram de vir, mas sempre os grupos se renovam e que, eventualmente quando um ou outro integrante antigo volta sempre costuma dizer o quanto mudou o público. Eles têm razão em parte, o público, o indivíduo mudou sim, mas de certa forma a característica geral se mantêm, que é de serem pessoas sempre muito bacanas, que formam grupos divertidíssimos que passam a dividir o dia-a-dia conosco. Aí não sei se é sorte ou consequência do forró e do clima do Canto da Ema, mas sempre são pessoas muito legais. E, se acabam acontecendo tantos casamentos e muitos com filhos, é que alguma coisa de especial realmente existe aqui.
Não quero dessa forma transformar todos os grupos em uma mesma coisa, como se fossem todos iguais. Pelo contrário, embora existam características gerais muito semelhantes, cada pessoa é única e nos cativa também de forma única. As dimensões do carinho, afeto e saudades variam demais de pessoa pra pessoa de cada grupo, de cada geração, e a vontade de rever após dias, meses e anos de distância também é diferente, mesmo quando sabemos que algumas pessoa jamais deverão retornar, mas quase sempre tem aquelas que deixam marcas eternas e que lembraremos sempre, ainda mais quando comemoramos datas especiais que nem estes 10 anos.
Gostaríamos muito de um dia ter todos ao mesmo tempo por aqui, mas acho que a casa seria pequena.
Eu e Zé Roberto, sócio da casa, temos conversado muito sobre várias dessas pessoas, desses grupos que lembramos com carinho e nos sentimos muito orgulhosos de termos juntamente com todos os funcionários que fazem o Canto da Ema, participado de tantas histórias, mesmo que de forma indireta, mesmo que meio sem querer. Embora nunca seja totalmente, pois quem faz forró já sabe disso, que pessoas vão se encontrar e que passarão a mudar o rumo delas e a criarem suas novas histórias.
Paulinho Rosa  (Out/2010)