Padrão no Forró
Semana passada tivemos a elegante e charmosa visita de Ana Paula Padrão ao Canto da Ema. Longe de uma visita de cortesia ou de vontade de dançar, ela veio mesmo foi trabalhar. Não a conhecíamos pessoalmente e todo o referencial vinha da sempre competente aparição na telinha. Acabamos descobrindo que mais que excelente profissional é uma pessoa extremamente agradável e inteligente além de uma mulher muito bonita.
A matéria que veio fazer referia-se a forró, mas mais especificamente sobre o aumento das classes "B" e "C", fenômeno que vem ocorrendo devido ao crescimento econômico do Brasil que está deixando de ser um país de miseráveis para ser um país de pobres e de larga classe média (baixa). Parece pouco, mas não é, significa para muita e muita gente uma melhora significativa na qualidade de vida, principalmente se pensarmos nas questões alimentação, moradia, educação e saúde.
No contexto "cultura", o forró está inserido de maneira muito efetiva sobretudo nessas classes sociais, daí o motivo de terem vindo fazer a matéria no Canto da Ema.
Se tudo der certo e o Brasil continuar progredindo teremos em breve uma maioria grande de pessoas dessas classes sociais e, portanto o nosso querido ritmo terá um aumento substancioso de pessoas e provavelmente de apoio de mídia e, quem sabe, de possíveis parceiros que perceberão a importância desse novo mercado consumidor familiarizado com o ritmo criado por Luiz Gonzaga.
Claro que a afirmação anterior e os motivos que trouxeram a emissora de TV a vir fazer a matéria são referenciados por importantes institutos de pesquisa, tendo nós, então muito pouco a contestar. Mas em uma rápida passagem pelo salão, pelos sobrenomes das pessoas e pelos endereços preenchidos nos nossos cadastros, é muito fácil perceber que existe muita gente sim das classes citadas, mas existe um número enorme das classes "A" , "B"(+) e também de classes "D". A origem do forró continua não sendo do For All, mas ele próprio é e provavelmente continuará sendo sempre for all.
Mas, se a apreciação da emissora estiver correta o que devemos fazer então? Torcer para que o ritmo do crescimento econômico estacione como está para que possamos ganhar espaço?
Não, acho que não. A nossa briga não é econômica e nem achamos que devemos nos restringir às classes citadas.
Torço para que o Brasil cresça muito mais do que o previsto e passemos a ser um país de classe média alta e ricos, sem com isso perder espaço do forró.
Anteriormente já disse que temos sim pessoas das classes "A" e "B" que admiram e freqüentam o ritmo, quem dera mais indivíduos delas tivessem mais oportunidade de ouvir os herdeiros de Gonzaga e o próprio, em rádios nos carros e nas TVs em casa e pudéssemos então ganhar mais e mais adeptos. Mas isso é quase impossível. A principal emissora do país rarissimamente abre espaço pro forró e geralmente quando isso acontece é fruto de "jabá" e de forrós eletrônicos, forró? As importantes emissoras de rádio que atingem as classes mais abastadas do país quase nunca permitem que o ritmo entre em suas grades. Até mesmo as rádios que tem a música brasileira como bandeira, ignoram o forró salvo nas vozes de artistas mais que consagrados e apenas diletantes do ritmo e não efetivos, gente como Gilberto Gil, Alceu Valença e outros, excetuando-se os sempre forrozeiros Dominguinhos e Elba Ramalho. Mas achar que poderíamos ouvir na rádio MPB um Virgulino, Sabiá ou mesmo um Trio Nordestino ou até Jackson do Pandeiro, esqueça!
A Rádio USP é a única que atinge as classes alta e média alta e coloca forró em sua grade e ainda tem um programa específico do gênero, mas é uma rádio estatal que não aceita "jabá", ficando, portanto, mais livre para decidir qual a programação que quer de acordo com a diretriz escolhida por seus diretores. Ainda bem que eles decidiram a favor de nós e podemos ter o programa "Vira e Mexe". (rádio USP FM 93,7 das 11:00hs ao meio dia, aos sábados).
Como sempre o problema é das pessoas que dirigem os veículos de divulgação de massa da nossa cultura, pois mais que preocupados com cultura estão mesmo é visando o dinheiro.
Ana Paula Padrão, diferentemente veio e parece ter gostado. Outras pessoas que se se derem a chance , com certeza gostarão. A questão é chance e ter oportunidade como tudo, em todos os lugares e países, a grande questão é sempre a oportunidade. O forró tem muito a crescer, basta aparecer um pouquinho mais e as pessoas virão naturalmente.
Quem sabe uma novela com o tema, um filme de sucesso, como aconteceu há 10 anos com Eu Tu Eles. Quem sabe com alguma música estourando nas rádios do país.
Os políticos sabem do potencial do ritmo, caso contrário não usariam tanto nas propagandas políticas. Estamos em véspera de eleição e se ficarmos um pouco atentos, veremos que muitos importantes candidatos se utilizam do forró como jingle.
Normalmente só recebemos pedidos de emissoras de TV querendo fazer matérias desprezíveis sobre forró, coisas como trazer a futura sogra pra dançar com um discutível provável genro e que dão verdadeiro pânico para nós. Por enquanto ficamos felizes com a visita da Ana Paula Padrão. Finalmente veio gente séria, competente e com respaldo da televisão querendo falar a sério de forró e foi muito bem feito.
Antes dela alguns outros bons programas culturais também vieram e foram muito bem vindos.
Não sei por quê, mas crescimento da economia do país, Gilberto Gil lançando CD de forró e Ana Paula Padrão vindo gravar forró. Tudo isso parece ser muito alviçareiro. Vamos torcer por isso.
Paulinho Rosa  (Ago/2010)