Festa Junina é Tempo de Forró
Todo mundo adora, mas infelizmente tem pouquíssimas em São Paulo. Festa junina deveria ser a segunda maior festa do país e é, mas em alguns estados ditos mais avançados como São Paulo, e mais especificamente na proeminente megalópole capital paulista, a festa quase passa desapercebida. É bem verdade que algumas igrejas, clubes e colégios têm quermesses arrebatadoras, lotadas de gente, com muita música, dança e comidas típicas, mas ainda assim é muito pouco se compararmos com a agenda de eventos da cidade e com as festas importadas. Sem querer fazer discurso nacionalista, o que é que bruxos gringos têm de melhor do que quadrilhas, curau e forrós? Alguém já fez simpatia para achar o grande amor em dia de Santo Antônio? E a beleza da fogueira embalando a noite fria de nosso inverno ao som de um bom xote para dançar colado? O sabor do vinho quente e do quentão aquecendo nossa garganta, corpo, alma e coração que navega longe assim como os balões típicos da época, mesmo que proibidos com sabedoria por motivos de segurança.
Festa junina só perde para o carnaval na lista das maiores festas do país, e em alguns lugares chega ao primeiro lugar rivalizando e ganhando em número de pessoas e animação com o reinado de momo. Independente de qual seja melhor, já que depende de gosto pessoal, os festejos juninos, tal qual o carnaval, ajuda o povo brasileiro a enfrentar as lamúrias de tempos difíceis como o nosso. No Nordeste dia de São João, 24 de junho, é feriado em quase todos os estados e as pessoas se vestem, se preparam e viajam para celebrar a noite tradicionalmente iluminada por fogueiras, alimentadas por diversos quitutes de milho e embalada pela música oficial dos festejos que é o nosso querido forró. Bom, pelo menos deveria ser, já que em algumas das mais importantes festas o forró tem perdido espaço para outros ritmos, mais especificamente o sertanejo.
Nada contra a variação dos ritmos nos diversos festejos. Por exemplo, no caso do carnaval não me incomoda alguns ritmos ocuparem parte do espaço do frevo e do maracatu em Recife, do axé na Bahia ou do samba no Rio de Janeiro, assim como não vejo problema dos sertanejos abrirem uma lacuna de sua programação para outras preciosidades da nossa música em festas de peões de boiadeiro (uma grande maldade com os bichos), assim como acho que o forró deva ser generoso durante os festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João para com os demais ritmos nacionais, afinal estamos em um país cuja diversidade e qualidade da música impressiona, mesmo sendo aqui um país continente.
Com tudo isso, acho que as festas têm tradições e é muito importante que sejam mantidas, como disse, com uma certa flexibilidade, mas que tenham na sua concepção original a grande fatia do bolo: carnaval digamos uns 80%, frevo e maracatu em Pernambuco, samba no Rio e axé na Bahia. Peão de Boiadeiro 80% sertanejo e caipira. Festejos Juninos 80% de forrós, baiões, xotes, xaxados e arrastapés (daqueles criados por Luiz Gonzaga, que fique claro!).
Agindo dessa forma cada um tem seu espaço e época do ano, além de locais determinados que sempre saberemos o que vamos encontrar. Já pensou você sair de São Paulo e ir até a Bahia para ouvir axé e só se deparar com forró? Deve ser terrível! O mesmo deve acontecer à pessoa que vai a Caruaru esperando ver aquele forró de levantar poeira e dar de cara com um monte de gente no rebolation, arght!
Pior é aqui em São Paulo, se não tivermos forró nas poucas e resistentes festas juninas que existem, em pouco tempo a população daqui vai começar a confundir qual é a festa tradicional do ritmo. Se isso acontecer, em breve poderão esquecer das comidas típicas também, depois das roupas e por último, quem sabe, até da data. Já, já comemoraremos os festejos "juninos" em outubro com fantasia de Frankstein, Zumbi ou Jason.
Pra ninguém esquecer ou se perder, venham ao Canto da Ema, aqui tem festa junina, com forró, comidas típicas e muita quadrilha!

A Volta de O Bando de Maria.

Mês passado escrevi sobre separação e dissolução de trios e bandas e citei rapidamente o caso de O Bando de Maria.
Pra quem não os conhece foi uma banda que ficou cerca de 5 anos fazendo os domingos do Canto. Era um tremendo sucesso. A banda que inicialmente chamava-se Pé no Chão, era formada por seis integrantes e abusava da criatividade numa mistura que chegava próximo a um forrock. Liderados pelo carisma explosivo da argentina Maria Paula, ela e seus colegas da banda Jonas, Teflon, Thiago, Cito e Fabiano, em pouco tempo fizeram do domingo do Canto da Ema um verdadeiro caldeirão em ebulição. Além da alegria contagiante que propiciava sempre um final apoteótico dos shows, a banda se destacava nas músicas próprias, com excelentes letras e uma batida pulsante de energia de rock, mas levada de forró tradicional. Eram peritos também em descobrir jóias de artistas descolados que fizeram ou foram transformados em forró de maneira muito competente, resultando em versões muito bacanas de Karnak, Os Novos Baianos, Gilberto Gil, Pedro Luiz entre outros.
O primeiro CD foi um grande sucesso com lançamento no Canto da Ema com mais de 800 pessoas presentes em plena terça-feira (nem véspera de feriado era)
Posteriormente a banda trocou dois de seus integrantes, saíram o baixista Cito e o guitarrista Fabiano para darem lugar ao Maskara e Maú respectivamente.
Veio o segundo CD, um trabalho mais maduro e com novas sonoridades, igualmente bom ao primeiro, mas em uma época em que a banda já apresentava um certo cansaço. Como vida de artista que não estoura na grande mídia nem sempre é sustentável, cada um resolveu correr para o seu lado e tentar dar um jeito na vida, principalmente a cantora Maria Paula, argentina de nascimento e brasileira por adoção (de todos nós que a amamos) resolveu voltar a sua terra natal.
Mas, para alegria geral, todos aceitaram se reencontrar dia 19 e 20 de junho na mesma cidade, no mesmo local, no palco do Canto da Ema. Estamos preparando uma grande festa que, com certeza, contará com a volta, não apenas da banda, mas de todos os seus fãs/órfãos, que não são poucos. Pra quem não conhece fica aqui a dica, venha ao Canto da Ema, é uma grande chance e ninguém sabe se será a última...
Paulinho Rosa  (Jun/2010)