Que Venha o Outono
Que bom que acabou março.
Acabou o mês das águas, das mulheres, da volta às aulas, do início real do ano dos brasileiros. Não por isso fico feliz que tenha acabado, mas porque é o mês dos forrós um pouco mais vazios. Embora alguns forrozeiros digam que adoram, é um verdadeiro terror para quem produz, para as bandas que necessitam de público e para os caixas das casas de forró, sempre se equilibrando entre os altos custos e a necessidade de fazer bilheteria, já que patrocínio nem pensar.
Nunca soubemos explicar os motivos que fazem do mês de março todo ano o mês mais fraco do Canto da Ema. Aliás, o problema não é só aqui, mas em geral é um mês complicado para a noite e principalmente para o forró. A ressaca/saudades do carnaval deve deixar alguns resquícios nos corpos da população e evita que as pessoas venham aos forrós como deveriam. Mas deveriam, pois para quem quer dançar principalmente fazendo acrobacias são os melhores dias, pois há mais espaço e menos calor.
Junto com março também começa ir embora o calor, o verão, as roupas curtas e o clima conspiratório para a formação de casais.
Chega o outono e se não temos aquela drástica e fantástica mudança de cor nas folhas das árvores e as alterações tão claras e óbvias no tempo como dos países de clima temperado do hemisfério norte do globo, temos sutis mudanças que fazem toda a diferença. A temperatura cai, não de forma tão absurda, mas cai e já provoca reações nos comportamentos diversos. Mudam-se as roupas, um pouco do jeito das pessoas e, consequentemente a necessidade de estar perto um do outro. Se no verão o visual despojado e quase nu atrai, a chegada de temperaturas mais amenas e até um pouco de frio aproxima, requer calor e deixa todos um pouco mais elegantes.
O que é melhor? Não sabemos, mas depois de um mês menos cheio ficamos felizes com a chegada de abril.
Mas o que faz de março ser tão difícil? Fim do dinheiro todo gasto no carnaval e nas férias de verão? A responsabilidade pleiteada em juras de mudanças durante a virada de ano que com o decorrer deste se perde em favor das diversões? Seja qual for o motivo não se justifica a queda no número de pessoas. Primeiro porque o forró é o mais barato dos divertimentos (salvo alguns que cobram caro por suposta exclusividade e ainda cobram mais caro ainda bebidas e etc., mas como o marketing é forte...). Mais barato que cinema, mais barato que shows, mais barato que restaurantes e bares, com a vantagem de não engordar e não dar sono.
Quanto a ser diversão é muito mais que uma mera diversão, é quase uma necessidade. Se os ministérios da saúde, da cultura, esporte e educação fossem realmente sérios, baixariam normas obrigando as pessoas a frequentarem pelo menos duas vezes por semana o forró. Como já disse em editoriais anteriores, forró é mais que um "simples qualquer coisa" (divertimento, ginástica, dança, música, etc.) é um verdadeiro conglomerado de necessidades básicas do ser humano, pois relaxa, diverte, emagrece, traz conhecimento, cultura, realça a cidadania, ajuda a conhecer pessoas, ajuda na coordenação motora e, ainda, pode fazer com que se conheça a(o) futura(o) companheira(o), o grande amor da sua vida.
Venho há anos martelando nessa tecla, ou melhor, nessas teclas, já que os benefícios são vários e grandes. De qualquer maneira, agora que existe uma tendência natural para a melhora de público nos mexemos para atrair ainda mais vocês, nossos queridos clientes.
Traremos algumas atrações e faremos ações muito bacanas. Começa com não fecharmos na sexta-feira santa. Mais do que o interesse comercial queremos ressaltar que respeitamos todas as religiões e entendemos quando algumas não permitem que seus seguidores compareçam a uma ou outra data. O que não podemos fazer é esquecer que existem outras religiões, outros mandamentos e outras doutrinas, e num país multi-religioso como o nosso tentamos atuar de maneira justa e imparcial.
Volatremos a ter algumas bandas que não têm aparecido com freqüência no Canto da Ema como Benicio Guimarães, Trio Alvorada, Raiz do Sana e principalmente o Clã Brasil. 'Principalmente' não por ser melhor, até porque como sempre digo que depende do gosto de cada um, mas o destaque fica por morarem na Paraíba, por raríssimamente virem a São Paulo e porque quando vieram da última vez, justamente para tocarem no Canto da Ema, foi um verdadeiro arraso. As meninas surpreenderam de modo absurdo a ponto de que após dois simples shows há mais de dois anos várias e várias pessoas ainda escrevem pedindo-as de volta. A banda tem um DVD com participações com ninguém menos que Marinês, Sivuca e Parafuso de Os Três do Nordeste. Quem não conhece ou nunca viu ou ouviu falar é só procurar no youtube: "Clã Brasil".
Sem esquecer que teremos como sempre os sensacionais Trio Sabiá, Trio Virgulino, Tiziu do Araripe, Bicho de Pé, Trio Dona Zefa e muito mais.
Portanto, que venha o frio e o outono, estamos preparados!
Paulinho Rosa  (Abr/2010)