Forró X Amor
Nem só de forró vive este espaço. Às vezes gosto de falar de frequentadores, dos sentimentos que cercam o evento e nem sempre relacionados com a música ou dança em questão.
Outro dia, enquanto conversava com amigos, uma garota parou de fronte a mim e perguntou se podia interromper. Como já havia interrompido e era uma conversa despretensiosa não vi problema e falei que poderia dar-lhe a atenção pedida. Quando me preparava para ouvir uma sugestão, crítica, reclamação ou elogio, eis que ela abre o braço e me dá um abraço muito forte. Quase chorando, com a voz embargada me agradece e disse que lá havia conhecido o homem da vida dela. Segurou-me naquela demonstração de gratidão durante mais alguns segundos repetindo sempre o mesmo agradecimento e cada vez mais emocionada.
Acabei por me emocionar também. As palavras eram sinceras e o abraço tinha a intensidade de quem estava realmente apaixonada, feliz e agradecida. Tentei explicar que eu não tinha nenhuma relação com o episódio, mas sim o forró. Não sei qual foi o desfecho, se é que houve algum, já que diferentemente das fábulas ou contos nunca aparece um "e viveram felizes para sempre". Também nunca é como as comédias românticas em que o filme acaba em um beijo, casamento ou juras de amor eternas e depois ninguém sabe o que aconteceu. Também não sei o que aconteceu com aquela garota, sei apenas que estava realmente feliz e torço para que tenha dado certo e venha tendo uma relação muito gostosa e tranquila com o rapaz. Aqui vale um breve parênteses: "dar certo" não significa exatamente que tenha que ser eterno, pode ser que um mês tenha dado certo, ou dois anos, ou 40 anos...o que importa é ser feliz pelo maior tempo possível e viver BEM com a pessoa com que estamos. Com intensidade, mesmo que com pouco tempo, pois às vezes os relacionamentos se arrastam sem necessidade, sem vontade, e, me perdoem o termo, sem tesão, e é justamente aí que entra o bom do forró.
Sempre disse que o forró é excelente para arrumar parceiros (as) e em nada atrapalha relacionamentos. Muita gente provavelmente irá discordar e já deve estar se municiando de casos e mais casos para exemplificar o erro de minha tese, mas vou tentar me explicar.
Que o forró ajuda, acho que ninguém duvida. Não apenas o caso acima citado é um exemplo notório, como existem vários outros. No final de 2009 fui a um casamento de um frequentador antiquíssimo que comemorou sua união com uma garota que havia conhecido onde? No forró!
Tão verdade isso que contrataram o Trio Sabiá para embalar a festa e relembrar o momento que se conheceram. Para completar o que digo, observei que a mesa ao lado com cinco casais, quase todos casados, eram de frequentadores do Canto da Ema, cujas histórias eram similares a que estávamos presenciando. Provada a tese da união, vamos ao bom do forró quanto a ser catalisador de relacionamentos que já estavam pra acabar e provavelmente apenas se arrastando, ou seja, sem aquele "tesão" anteriormente mencionado.
O forró não separa ninguém, ele apenas acelera um processo já irreversível. Se um casal sai para um forró e briga porque um estava dançando muito colado ou o outro deixou-a (o) sentada (o), é porque a coisa já ia muito mal. Parece-me um motivo pequeno demais para quem pensa em dividir uma vida conjunta, ter uma família, fazer viagens, fazer planos e dividir sonhos, tudo isso jogado fora por uma noite em uma balada. Na verdade esse casal teria problema em um samba, em uma casa de tecno, qualquer viagem e até em batizado, o problema são eles, a relação e não o local. Como o forró é mais sensual e exige um pouquinho mais de tolerância com relações a pequeníssimas bobagens de casal e é um ótimo lugar pra você descobrir se aquela pessoa é ou não A PESSOA. Lógico que se uma delas não dançar ou mesmo se as duas adoram dançar, os casais não precisam ir toda semana ou três vezes por semana no forró, afinal vídeo, cinema, restaurantes também são ótimos pra namorar, mas brigar a ponto de romper uma relação em uma saída é porque realmente o fim esta perto.
Forró é lugar para solteiros arrumarem parceiras e vice-versa, mas também é lugar para pessoas se divertirem de forma independente ou com seu amado a tira-colo, sem problemas. Pois o forró faz amigos, turmas inteiras que viajam e combinam festas, cria e motiva relacionamentos, junta pessoas, semeia paixões e amores e consequentemente, às vezes, depois de 9 meses produz novos forrozeirinhos.
Depois disso tudo o que não vale é nos abandonar.
Torcemos pelos amores e esperamos a sua visita!
Paulinho Rosa  (Fev/2010)