Lei Antifumo
Odeio cigarro. Sou daqueles que abominam este vício nefasto e incômodo. Fosse como bebida ou qualquer outra coisa que a pessoa podia se estragar à vontade sem interferir com ninguém, ainda assim odiaria, pois meu pai teve três derrames, minha mãe início de enfisema pulmonar, minha irmã perdeu parte da sensibilidade dos dedos e por aí vai, isso falando de uma família pequena, pois se contar com a dos amigos, a lista de tragédias é assombrosa.
Odeio porque odeio o cheiro, acho feio o manuseio, é ruim conversar com fumantes, pois às vezes o bafo impregna e pior ainda é comer perto daquela fumaça que parece perseguir sempre a nós, não fumantes, como se quisesse deliberadamente nos atiçar e provocar.
Mesmo assim, com tudo isso acho que a lei antifumo peca por exagero. Aqui no Canto da Ema temos dois ambientes claramente separados, tão separados que o ar de dentro, o do salão interno aquele onde já há muito tempo é proibido fumar, tem como área de fuga o bar de fora, ou seja, a corrente de ar é toda de dentro para fora o que torna impossível a fumaça de entrar. No bar de fora, onde deixávamos fumar até 07/2009 passado, é um espaço bem ventilado que invariavelmente está com o teto retrátil totalmente aberto e, mesmo quando isso não acontece, ainda assim é bem vazado, pois foi assim projetado para que pudesse sempre estar arejado e a fumaça não incomodasse tanto.
É bem verdade que, mesmo assim, com todo esse cuidado, a área externa em dias de casa cheia ficava com odor bem incômodo, mas era opção clara das pessoas, sair e entrar. Quem queria fumar que saísse, quem não queria, poderia ficar dentro sem nenhum incômodo.
Com a lei não mais temos esta possibilidade. Foi vetada toda e qualquer liberdade de fumantes exercerem seus vícios durante suas cervejas, caipirinhas e bate papos. Mais uma vez, assim como a lei seca, o governo age de maneira paternalista e ditadora.
Da mesma forma como ataquei a excelente e necessária lei seca por exageros e falta de cuidado me refiro a esta por motivos similares e uma total falta de uma política acessória que possibilite as pessoas de arcarem com seus riscos e erros. Acho que isto cabe de novo.
No nosso caso, como temos ambientes bem divididos não sei por que não poderíamos ter a opção de local para fumantes.
Acho que o governo deveria era mais uma vez deixar de atuar como pais fazem com filhos, simplesmente proibindo, e fazer leis que façam as pessoas pensar duas vezes antes do próximo cigarro e dez vezes antes de iniciar tal vício. Que tal algum tipo de identificação que excluíssem fumantes de planos privados ou do SUS de qualquer atendimento a doenças provenientes do cigarro? Afinal se estragar é direito de cada um, e cada um deve, também, assumir financeiramente suas opções.
Quanto a lugares em que existam fumantes, desde que no mesmo local haja clara possibilidade de divisão, não vejo por que isso não possa ocorrer. Eu odeio cigarro logo não vou a locais que tenham cigarro. Concordo que deve ser liberado apenas em locais abertos, com divisão total e que tenha as duas opções, sendo que em locais que existam tais divisões e cuja atração é algo em palco que neste espaço seja proibido.
No Canto da Ema temos esta opção, logo vão achar que estou advogando em causa própria, mas não é. O único inconveniente do Canto da Ema seria que o não fumante teria que passar obrigatoriamente pela área de fumante na entrada, devendo, portanto, inalar o ar empestado de nicotina e sei lá que outras substâncias por longos 10 metros e daí por diante só voltar aquele espaço se quisesse.
Mas, como disse no início odeio cigarro e essa lei até que pessoalmente fica confortável. Só me preocupo com as pessoas que não conseguem largar de uma hora pra outra. Brigo faz anos com uma irmã para largar o vício e ela não consegue e sei que é o caso de muita gente. Pra estas estamos pensando em alguma solução, quem sabe um cartão de permissão para as pessoas fumarem na frente da casa em pequenos grupos, coisa que alguns bares estão adotando através de pulseirinhas. Teremos uma conversa com as pessoas do PSIU, órgão público responsável pelo barulho na cidade, para tentar liberar essa possibilidade, já que nos foi comunicado que o agrupamento de pessoas na calçada em frente a casa resultaria em pesada multa para nosso estabelecimento.
Outras possibilidades estão sendo estudadas, pedimos aos nossos fumantes que tenham paciência enquanto não achamos uma saída e quem sabe aproveitem essa tendência mundial de proibição como um incentivo para uma vida melhor, com mais fôlego, pele melhor, dentes mais brancos, hálito mais agradável e menos doenças no futuro.
Aos não fumantes lembramos o quanto zelamos por eles, pois no salão principal esse pernicioso vício já é proibido há quase 4 anos.

Decisão de permissão: Informações Aqui
Paulinho Rosa  (Set/2009)