Flávio José e Mais um Monte de Coisas!
Acabou de começar mais um ano e, como sempre, as expectativas, planos e sonhos se multiplicam em todos. Embora seja apenas uma mudança de um dígito, usamos para alimentar nossas ansiedades e aplacar as agruras do passado. Drummond falou isso de forma brilhante em alguns de seus poemas.
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente"

Nós, do Canto da Ema, reabastecemos a ponto de derramar nossas energias para mais um ano. Temos planos pra dar e vender e projetos fantásticos sobre música, músicos e como receber cada vez melhor nossos freqüentadores. Para tanto resolvemos caprichar desde o início e ele já vem com tudo. Já de cara uma das maiores revelações do forró dos últimos tempos, o Trio Dona Zefa, que alia um ritmo próprio a uma malícia discreta, envolvente e atraente dos seus três componentes. Logo depois, Os 4 Mensageiros chegam para dar sua mensagem, um recado de alegria, de balanço, de fazer dançar ou seja, de forró. Trio Virgulino, padrinho de todos, chega para manter a tradição e dar o primeiro grito de carnaval, eita trio bom e festeiro! Trio Sabiá e Trio Araripe, dois trios bem tradicionais, daqueles de forró mesmo. O Sabiá, o nosso porto seguro no ritmo vem pra mais um ano, o nono só de Canto da Ema e com um fôlego, musicalidade e repertório cada vez melhor. Araripe um dos mais bem combinados e coordenados trios que já vi: zabumba, sanfona, triângulo e voz em perfeita harmonia, é forró mesmo, bem pé de serra, tanto e tão virtuoso que às vezes parece forrójazz (existe isso?).
Mas como queremos começar o ano com tudo mesmo, na segunda semana chamamos nada mais e nada menos que Flávio José!

Flávio José:

Morar em um país de dimensões continentais faz com que nos deparemos com situações, no mínimo, inusitadas. Uma delas é a de termos ídolos e destaques regionais que muitos nunca nem ouviram falar em outros locais. Um desses casos mais notórios é o do cantor e sanfoneiro FLÁVIO JOSÉ, que embora seja relativamente conhecido na capital paulistana, sobretudo pelos amantes do forró e os imigrantes nordestinos, é praticamente um anônimo se compararmos com a força e pujança que tem no nordeste. O mais requisitado artista dos meses dos festejos juninos é presença constante o ano inteiro nos palcos da Bahia ao Maranhão, onde divide em pé de igualdade e importância com Dominguinhos, Elba Ramalho, Zé Ramalho e muitos outros. Seus shows, disputadíssimos por público, prefeituras e empresários do show business, costumam levar verdadeiras multidões e dificilmente têm menos de 10.000 pessoas, todas cantando suas músicas em coro, pois o nordeste sabe de cor e salteado seus grandes sucessos.
Flávio José tem um estilo próprio, praticamente criou uma escola de cantar no seu jeito bem característico, sobretudo quando entoa seus xotes, verdadeiros hinos que tratam quase sempre de amor com uma prosódia bem nordestina.
Aqui no Canto, quando veio a primeira vez em um aniversário de Dominguinhos, ele nos contou que pouca vontade tinha de vir a São Paulo, pois embora tocasse pra muita gente, poucos acompanhavam o show com atenção e menos ainda conheciam bem suas músicas. Quando subiu para dar uma canja no palco do Canto, ao empunhar a sanfona e dar os primeiro tons de "Natureza das Coisas" "ôôô xalalalalalá" o Canto da Ema em peso, todas as pessoas sem exceção o acompanharam e foi irresistível para ele soltar um grande sorriso de felicidade.
Logo depois que para nós pareceu uma eternidade, ele voltou para show solo. E, num espetáculo de talento e profissionalismo veio com uma banda super ensaiada, monitores passados, todos de preto e sentados, fizeram um show de cerca de duas horas em que o público cantou inteiro com ele cada música. Foram vários sucessos, um atrás do outro como: "Espumas ao Vento", "Sem Ferrolho e Sem Tramela", "Natureza das Coisas", "Tareco e Mariola", " O Filho do Dono", "Saudade da Boa", " Caia Por Cima de Mim", " Apaixonado Por Você", "Asas da Ilusão", "Me Diz Amor", " Cabolco Sonhador", "Pra Todo Mundo" e etc.
Aliás, é engraçado como às vezes conhecemos diversas músicas e só damos conta de quem canta muito tempo depois. Os que não conhecem Flávio José e depois ficam sabendo quais as músicas que é ele que canta, passam a virar fãs instantaneamente.
É muito difícil poder contar com ele por aqui, nosso cantor Flávio tem uma agenda cheia e a vinda pra São Paulo ou para o sudeste é sempre complicada, pois os valores de passagens aéreas, hospedagem e alimentação quase inviabilizam qualquer artista vir com banda fazer show em uma casa pequena e sem patrocínios como é o Canto da Ema. Dessa vez ele virá, conseguimos! Conforme combinado anteriormente, sempre que houver um evento qualquer por perto ele nos avisa e marcamos aqui no Canto em datas próximas. E é o que vamos fazer agora, por isso, por toda essa dificuldade marcamos logo duas datas, pois o que é bom é sempre melhor em dobro.
Aproveite bem querido freqüentador do Canto, pois Flávio estará aqui e não sabemos quando o teremos de novo.
O artista trará uma formação acústica com: sanfona, zabumba, triângulo, violão, percussão e coro.
Será uma grande chance para os que não o conhecem saber um pouco desse paraibano da cidade de Monteiro que faz tanto sucesso em todo o nordeste. E, para aqueles que já o conhecem, de terem uma noite de sonho cantando e ouvindo todas aquelas músicas que todos os trios e bandas adoram fazer cantar.
"o cabra pode ser valente e chorar"
"toda caminhada começa no primeiro passo"
"eu não sou dono do mundo, mas tenho culpa porque sou filho do dono"
"eu não preciso de você, o mundo é grande e o destino me espera"
"o meu olhar vai dar uma festa amor, no dia em que você chegar"
Paulinho Rosa  (Jan/2009)