Como Achar um Forró?
Imagine um estrangeiro que acaba de chegar a São Paulo ou mesmo um turista de outro estado ou outra cidade. Esse tipo de pensamento não é difícil, já que a capital paulista é o município brasileiro que mais recebe turistas em todo o país. Isso devido ao grande volume de negócios e feiras que acontecem durante o ano inteiro. Mas, como nem só de negócios vive o ser humano, ele precisa também relaxar e se divertir e nada melhor do que ter boas opções e, principalmente, boas dicas de onde ir para comer, beber e, se tiver tempo e disposição, quem sabe uma "baladinha" e dançar um pouco.
Fico aqui imaginando se esse turista resolve conhecer algo bem brasileiro, algo como samba ou forró. A primeira coisa que irá fazer é procurar um guia da cidade, se possível um guia graduado e que tenha diversas opções. Um guia que esteja atualizado com o que acontece na cidade.
Como toda megalópole, São Paulo tem várias dessas publicações, mas, sem dúvida, a mais importante, a mais influente e, por que não dizer, a mais respeitada é a edição especial da revista de maior publicação do país que uma vez por ano sai com um apanhado classificatório de diversas categorias como "bar', "comidinhas", "som ao vivo", "restaurantes", "padarias" e etc.
Voltando àquele nosso turista que acabou de descobrir a revista, ele vai folhear e procurar um local para dançar ou ouvir música brasileira. E, é claro e óbvio, como poderia se esperar, sem nenhuma sombra de dúvida, ao abrir o guia ele... não encontrará nada a respeito! É isso mesmo, a mais importante revista do país em sua edição que serve como "bíblia" do divertimento, gastronomia e cultura da cidade não tem nada de indicação de música brasileira. E isso não é de hoje, não é da edição deste ano que estou falando, mas sim de uma nefasta tradição que vem, praticamente desde que essa feliz, mas falha idéia fora posta em prática.
Salvo raríssimas exceções que uma ou outra casa de samba fora citada por no máximo um ou dois "jurados?", os ritmos brasileiros têm sido preconceituosamente descartados e esquecidos. Difícil definir o motivo, nem sei se a minha colocação de "preconceituoso" é justa, já que não conheço o gosto dos jurados e pode, simplesmente, ter sido coincidência nunca levarem em conta os ritmos oriundos de suas pátrias, mas fica claro que os votos são invariavelmente dados às casas de ritmos gringos e quase sempre para casas de "modinha" onde os "modernos" acham legais e que, na maioria dos casos já nem existem mais no ano seguinte (mais modinha que isso impossível).
Não tenho nada contra qualquer cultura de qualquer país, nem acho obrigatório que as pessoas gostem do que produzimos aqui de mais original e tradicional do nosso povo, mas acho absurdo esquecerem e impedir as pessoas de conhecerem as boas opções de nossa cultura.
Já que os jurados coincidentemente não optam pelas coisas do Brasil, por que não fazer como na categoria de restaurantes que tem tantas subdivisões podendo mostrar a diversidade da cidade em opções de "carnes", "pizzas" e etc. Poderíamos ter o "para dançar" ou no "som ao vivo" subdivisões como "música estrangeira", "eletrônicos e pop rock" e "música nacional" para que finalmente nós do forró, samba, e demais ritmos possamos aparecer um pouquinho para as pessoas.
Não acho que causará grandes transtornos à editora, nem mesmo os jurados vão morrer por terem que ir a um forró, choro ou samba ou qualquer outra casa de ritmo nacional. Será uma importante e significativa ajuda à cultura nacional e poderá até ter uma ou duas páginas a mais com espaço publicitário em que a revista e seus donos ganharão um pouquinho mais de dinheiro e uma certa leveza na consciência.
Nós, que amamos e trabalhamos com esses exóticos ritmos nacionais e os turistas, sem dúvida, agradeceremos!
Paulinho Rosa  (Out/2008)