Canto da Ema 13 anos e Dominguinhos...
Estamos completamos o nosso décimo terceiro ano de existência com inúmeros frequentadores, vários artistas e uma pessoa muito, muito especial para nós: Dominguinhos.
A história de Dominguinhos com o Canto da Ema começa antes mesmo de a casa ter sido inaugurada, pois todo e qualquer projeto ligado ao forró sempre teve o sanfoneiro como inspiração, professor e objetivo, pois estar com ele era aprender e querer fazer.
A vida dele não se confunde com a do Canto da Ema, mas a do Canto da Ema passa inexoravelmente pela sua sanfona, suas palavras e sua presença constante conosco.
A primeira apresentação dele na casa data de uma época alvissareira para o Forró, a Falamansa havia estourado no país todo em uma venda absurda de CDs e o Brasil "ria à toa"com seus sucessos, que trouxe a reboque uma infinidade de bandas e muitas casas especializadas no ritmo.
Queríamos fazer a nossa, queríamos ter a liberdade de criar um espaço seguindo os conceitos que achávamos necessários para alavancar ainda mais o ritmo e receber os potenciais frequentadores em uma casa bem arrumada, bonita, mas sem frescuras, bem decorada, com banheiros limpos, atendimento cordial e um extremo cuidado com relação a programação.
Mas também, desde o início, ouvindo o que Dominguinhos nos ensinava sobre o Forró, sem nenhum tom professoral e de maneira extremante tranquila, entre papos em almoços e conversas em viagens, eu captava aqui e ali pequenas pílulas de bíblia forrozeira e ia aplicando homeopaticamente nos projetos do que viria a ser o Canto da Ema.
Chegou enfim o dia da inauguração e fizemos tudo errado! Não pelas escolhas, mas pelos excessos.
Distribuímos uma quantidade de convites para a inauguração muito acima de nossa capacidade; a inauguração, além de comes e bebes de graça teria simplesmente como atrações a Falamansa, banda de maior sucesso não só de forró da época e o Dominguinhos, o maior nome do ritmo (junto com Gonzaga) e um dos maiores da MPB. Conclusão: vieram quase todos os convidados e vários ainda trouxeram mais pessoas.
A confusão foi tão grande que, na hora de subir ao palco e anunciar o inicio da casa e do show, eu, que estava no bar de fora, levei quase 30 minutos para conseguir chegar até a porta do camarim, tal o aperto e número de pessoas. Como a cerveja era de graça, as pessoas desperdiçavam à vontade, quase transformando a pista em uma piscina de bebida.
Com tudo isso, a inauguração foi um sucesso. Falamansa e Dominguinhos foram perfeitos em suas apresentações já evidenciando os propósitos da concepção elaborada de trabalhar com o mais tradicional do forró, sem nunca esquecer das novas revelações.
Passado o grande dia, arregaçamos as mangas e passamos a trabalhar.
Hoje, depois de mais de uma centena de atrações, milhares de pessoas que aqui passaram, vários e várias gerações de amigos que se formaram, casais que se juntaram, filhos provenientes de relacionamentos aqui começados e muito, muito forró, podemos dizer que a casa é um sucesso, não apenas socialmente, mas como propósito, pois é conhecida, em quase todo o país e parte do mundo, como referência do ritmo.
Mas muito disso aconteceu pela proximidade que tínhamos com Dominguinhos. A forma de fazer forró, o cuidado com o som, a proximidade com Marinês, Elba Ramalho, Lenine, Zé Calixto, Toninho Ferragutti, e várias outras pessoas, vieram com Dominguinhos. Se parte da mídia sempre nos escolhe para cenário quando o assunto é forró, devemos isso a Dominguinhos e, sobretudo, o cuidado e a paixão com o ritmo que aprendemos com ele.
O décimo quarto ano, que se inicia, será o primeiro sem a presença física do nosso querido sanfoneiro, que tocava cerca de 4 a 5 vezes por ano na casa, além de sempre ou quase sempre, comemorar seu aniversário conosco.
Falamos de presença física, pois ele continuará sempre aqui. Nos ensinamentos, nas músicas eternas, na lembrança gostosa e, sobretudo, em nossos corações . O Canto da Ema existiria estes 13 anos sem ele, mas teria sido tão sem graça!
Por tudo isso, o próprio Canto da Ema, os shows, todos os eventos, os 13 anos passados e, tomara, os futuros, são dedicados ao nosso querido sanfoneiro.
Paulinho Rosa  (Out/2013)