Um Prêmio para o Forró
Acabei de voltar do Rio de Janeiro, onde fui assistir ao prêmio TIM de musica e cujo homenageado foi nada mais, nada menos que o nosso maior sanfoneiro, Dominguinhos. Pela primeira vez, nas seis edições do prêmio o homenageado foi alguém ligado ao forró, o nosso ritmo tão querido.
E nada mais justo que essa honra coubesse a esse fantástico pernambucano de Garanhuns. Dominguinhos, pela sua qualidade de sanfoneiro e músico, toca qualquer ritmo com maestria, já o fez em diversos festivais de jazz e acompanhando diversos outros músicos de várias vertentes, mas sempre se ateve e se aninhou no seu ritmo preferido: o forró.
O Prêmio Tim, com sotaque nordestino, se curvou ao ritmo e a sanfona, não esquecendo das canções que Dominguinhos compôs com geniais colegas, como Anastácia (Contrato de Separação) e Nando Cordel (De Volta Pro Meu Aconchego).
Foi um espetáculo memorável e muito legal, além da entrega dos prêmios para vários artistas fantásticos como: Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor, Vanessa da Mata, Ivete Sangalo, Siba, Alcione e tanta gente, inclusive o próprio Dominguinhos, teve a presença de inúmeros artistas e pessoas ligadas ao meio. A única pena foi o queridíssimo Trio Virgulino que indicado na categoria de melhor disco regional, acabou não levando. Mas não teve nada, Dominguinhos dominou a festa e teve sua vida contada, sua obra lembrada e reverenciada como sempre mereceu. Foram duas horas em que foi possível ver o forró sendo o centro das atenções com seu principal personagem dividindo o palco com sua filha Liv (infelizmente e injustamente cortada da edição apresentada na Globo) e ainda com o ministro Gilberto Gil, Vanessa da Mata , Ivete Sangalo, Nana Caymmi, Flávio José, Jorge de Altinho, Genival Lacerda, Elba Ramalho, Waldonys, Osvaldinho do Acordeon, Adelson Viana, Genaro, Toninho Ferragutti, Renato Borghetti e ainda seus fiéis companheiros Fúba de Taperoá e Díó de Araújo.
Que delícia poder ouvir Vanessa da Mata e Ivete Sangalo cantando forró. Se elas e o ministro fizessem isso mais vezes, com certeza ampliaria em muito as possibilidades do forró aparecer mais na mídia.
Na verdade confesso que parte da felicidade vinha da sensação de ver o forró colocado em um tipo de local onde sempre deveria estar, em pleno Teatro Municipal do Rio de Janeiro (lindíssimo!), e com vários artistas de todos os meios interpretando as diversas composições de um repertório tão bonito.
Isso poderia acontecer sempre! Da mesma forma como é bom ver o próprio Dominguinhos cantando um samba ou, quem sabe o Gabriel O Pensador cantando um choro e os Titãs entoando um frevo. Em um Brasil tão repleto de talentos e com tanta diversidade de estilos musicais, todos deveriam e poderiam se ajudar, misturar, e propiciar a chance de todos aparecerem, músicos e gêneros, já que a diversidade e a fusão de diversos ritmos fazem parte das características dessa nossa cultura tão rica.
Mas a grande felicidade mesmo ficou por conta de ver que finalmente se faz justiça a quem mais merece, pois só assim Dominguinhos apareceu na Globo e em toda mídia na proporção do seu talento, ou seja, com programas dedicados a ele mostrando para todo mundo a sua real importância na cultura do país.
Parabéns amigo!
Para quem sempre reclamou da falta de espaço para o forró, este foi um dia consagrador, um dia para lembrar e torcer que se repita várias vezes.
Paulinho Rosa  (Jun/2008)