Sem Contra-Indicações
Tudo que é bom é imoral, é ilegal ou engorda.
Forró contradiz tudo isso.
É legal (nos dois sentidos), tem até lei com um dia especial para ele, o 13 de dezembro.
É moral, pois é uma dança sadia, uma música com bom ritmo e, na maioria das vezes, com letras bonitas que falam do coração, da seca, das dificuldades do povo nordestino e muitas, muitas vezes do amor que queremos, ansiamos e quase nunca conseguimos ("traga-me um copo d'água tenho sede, e esta sede pode me matar, meu coração só pede o seu amor, se não me deres posso até morrer").
É bem verdade que de vez em quando escorrega um pouquinho. Na década de setenta, sobretudo, fez-se muito forró malícia, que era o forró tradicional, o que comumente chamamos de pé de serra, mas com letras de duplo sentido, como por exemplo: "Devagarzinho eu vou entrar no seu golzinho, no seu golzinho...", umas das muitas músicas que Genival Lacerda cantava empunhando sua engraçada barriga e remexendo os portentosos quadris. O senador do Rojão cantava essa e outras pérolas famosas da época, além de outras tantas músicas maravilhosas entre cocos e rojões. Existiam algumas outras músicas com um duplo sentido mais leve, mais tranqüilo, como João do Vale fazia com sua "Peba com Pimenta":
"Ai, ai, ai seu Malaquia
Ai, ai, você disse que não ardia
Ai, ai, tá ardendo pra daná
Ai, ai, tá me dando uma agonia
Ai, ai, que tá bom eu sei que tá
Ai, ai, mas tá fazendo uma arrelia"
Essas músicas não são lá receitas de moralidade, mas também não ofendem ninguém. Hoje parece brincadeira de criança se compararmos com o "Bonde do Tigrão" ou a "Dança do Creu".
Por fim, forró não engorda, aliás, só emagrece. Em uma das muitas tabelas de queima de calorias disponíveis na internet verifiquei que uma pessoa com aproximadamente 60kg perde cerca de 1100 calorias em duas horas de forró.
Portanto, se não é ilegal, imoral e nem engorda, qual é o grande pecado do forró?
Ele vicia!
Outro dia vieram-me falar sobre isso. Esse negócio vicia. Não é droga mas vicia, não é droga, mas cura, não é droga, mas freqüentemente alucina, ou, ao menos, a impressão é esta, pois a alegria e êxtase em que encontramos freqüentadores diversos, só nos faz pensar o que é que acontece com esse ritmo. O mais divertido é ouvir os relatos das pessoas contando sobre elas próprias ou amigos que maldiziam o nosso querido ritmo e hoje em dia foram terminantemente e arrebatadoramente "pegas" pelo vício "forró". Não sabemos se é a dança, a música ou tudo isso junto aliado ao que ele propicia, sabemos apenas que vemos muitos rostos semanalmente na casa, isso para não dizer os que vêm diariamente. Mas fiquem tranqüilos, forró não é ilegal, nem imoral, nem engorda e muito menos é droga, apenas vicia um pouquinho.
Paulinho Rosa  (Mar/2008)