Olhem para Nós
Como um dos sócios do Canto da Ema acabo, como em qualquer profissão, conhecendo alguns colegas da minha área. Não apenas donos de forrós e produtores do ritmo, mas proprietários de casas noturnas diversas. E, como também sempre acontece, quando nos encontramos, acabamos falando de assuntos comuns, coisas pertinentes dos nossos trabalhos: problemas inerentes da área que escolhemos e soluções encontradas; às vezes de forma criativa, outras por competência e existem até casos de sorte.
Um dos problemas que mais afligem todos é como aumentar receita, aumentar o público e manter a casa sempre em alta.
O Canto da Ema tem tido sorte e, sem falsa modéstia, competência, pois tem tido um bom público. Se a casa não está sempre cheia, está, ao menos, sempre com um bom número de pessoas que deixam o ambiente sempre festivo e agradável. Já com relação à receita, não podemos dizer o mesmo. Está difícil aumentá-la para podermos fazer tudo que almejamos e cobrir todos os aumentos contínuos de gastos que temos. As bebidas sobem de preço, os salários têm dissídios, os impostos são majorados sistematicamente e acabamos por dobrar alguns custos com bandas por colocarmos duas no mesmo dia para atrair mais público e aumentar o tempo de música ao vivo, sobretudo nos fins de semana quando as pessoas rodam muito, a casa fica mais cheia cedo e acaba ainda cheia.
Para equilibrar nossas finanças sem aumentar os preços para nossos clientes temos que procurar idéias criativas ou tradicionais para aumentar a entrada de dinheiro. Como temos interesse em continuar crescendo e, sobretudo fazer ainda diversos shows de grande magnitude para nosso público e também a intenção de fazer o forró crescer cada vez, temos que dar um jeito de incrementar a arrecadação.
O mais viável e sensato seria a procura de patrocínio, parceiros e apoios culturais. Basta pensarmos no perfil da casa e do público que ela recebe para perceber isso: temos um excelente número de clientes, altamente qualificado (ao contrário do que se pensa sobre forró), a maioria estudantes das principais faculdades da cidade e por que não dizer do país. Diversos profissionais liberais com ótimo poder aquisitivo e formadores de opinião incontestes. Levando em conta também que estamos no bairro de Pinheiros, zona nobre, em uma das principais avenidas da cidade. Sempre com excelentes atrações, nosso palco tem presença constante dos maiores nomes do forró e teve visita de alguns dos mais importantes nomes da nossa música como: Dominguinhos, Elba Ramalho, Zeca Baleiro, Lenine, Chico César, Geraldo Azevedo, Antonio Nóbrega, Mariana Aydar, entre outros.
Se pensarmos ainda que já tivemos a presença de governador, empresários e artistas de todas as estirpes, seria óbvio e tranqüilo para nós conseguirmos ter várias empresas importantes do nosso lado. Mas, infelizmente, por algum motivo misterioso ou, quem sabe incompetência nossa, ainda não conseguimos viabilizar esse tipo de acordo. Às vezes parece que poucas marcas têm interesse em se aliar a um dos ritmos mais importantes desse país por não perceberem o tipo e a quantidade de público que ele atrai.
De qualquer forma continuamos tentando viabilizar algumas parcerias comerciais. Naquelas conversas que citei no início deste texto com nossos colegas empresários da noite, todos foram categóricos em dizer: relacionamento é a forma mais segura e real de fazer com que isso aconteça.
Por isso, a partir de agora conclamamos todos os nossos freqüentadores para que caso algum ou alguns tenham bons contatos em empresas com potencial para se interessar em colaborar com o Canto da Ema e nos ajudar a proporcionar uma casa com mais possibilidades artísticas e de acomodação, saibam que estaremos de portas abertas.
O Canto da Ema, nosso público e o forró agradecem!
Paulinho Rosa  (Fev/2008)