Corpo a Corpo
Definitivamente o que diferencia forró das outras "baladas" é o corpo a corpo. Diferentemente das outras opções da noite, o forró propicia um encontro efetivamente próximo. Senão vejamos, em que outro tipo de lugar você já está abraçado com a pessoa, com a boca ao lado do ouvido dela e vice-versa, a mão na cintura e a dela no seu ombro (ou vice-versa) e tendo a possibilidade de trocar palavras sem parecer apenas um "xaveco" (" você quer dançar?"), tudo isso antes mesmo de conhecer a pessoa?
Ou seja, forró é futebol, tem emoção, tem contato, tem disputa, tem corpo a corpo. Tem falta também, quando exageramos nesse corpo a corpo, mas tem gol, tem comemoração às vezes esfuziante!
Lógico que vôlei também é legal e emocionante, mas é cada um para o lado, distante, como reggae, como tecno, como funk.
Nada contra nenhum outro ritmo, mas o forró tem esse jeito próprio e próximo do brasileiro. Talvez por isso sejamos os únicos pentacampeões do mundo. Não temos medo do toque, de encostar, de falar, de estar próximo, não temos aquela frieza cerimoniosa do gringo que quando chega aqui fica maluco e desvairado. Alguns acham esse nosso jeito sensual, às vezes beirando o sexual, mas é muitas vezes, aliás, para a grande maioria, algo comum, inerente ao nosso espírito e a nossa alma. Um jeito brasileiro de ser, quente, despojado, íntimo, às vezes exageradamente íntimo, principalmente para aqueles que não sabe distinguir essa proximidade da vontade de algo mais concreto. Não que tenha alguma ingenuidade nessas atitudes e nessa proximidade, mas é uma sedução velada, com interesse muitas vezes apenas subjetivo, apenas da própria sedução, do jogo de seduzir, da brincadeira de ser sedutor(a).
A gente é assim, o brasileiro tem esse jeito, fruto dos trópicos, da temperatura, da miscigenação, de sei lá que raio de coisa, mas somos assim e que bom que é assim.
Outros ritmos brasileiros como axé e samba, fazem da dança, mesmo que mais distantes que o forró, algo muito sensual e sedutor. Quem não olha para um corpo feminino, cor de canela requebrando em graça, ritmo e aquela malícia disfarçada? Antes terreno de mulatas, negras e morenas, hoje, ruivas, loiras e até japonesas participam.
Mas, mesmo com tudo isso, nem esses ritmos permitem o "encontro" que o forró propicia.
Olhando bem, o que chega mais próximo, não é nem um ritmo nacional, é a salsa e seus primos diretos; o merengue, o tcha-tcha-tcha e etc., que fazem furor em toda Europa, levando um pouco dessa possibilidade de contato típica dos brasileiros e também dos caribenhos, para os povos mais ricos, distantes e frios.
Aos poucos o forró começa a invadir o terreno deles. Já existem festas e dias de forrós em vários países espalhados pelo mundo e quem sabe, com o tempo, nesse mundo globalizado, todos terão a possibilidade de dançar um xote ou um forró bem coladinho como fazemos por aqui, no Brasil, em São Paulo, no Canto da Ema.
Paulinho Rosa  (Nov/2007)