Bom-Senso
Viver em lugar com muita gente não é fácil, São Paulo é uma cidade com cerca de 16 milhões de habitantes, sem praia e com poucas opções de lazer. Em virtude disso, viramos a cidade em que a noite é a mais badalada de todo país. Aqui tem de tudo para todos os gostos e todas as tribos.
A convivência em um lugar como São Paulo é difícil, são muitas pessoas com gostos diversos, pensamentos diversos, formas de agir diversas e, por vezes, verdades diversas, pois até a verdade tem várias possibilidades, dependendo do ângulo, do olho de quem olha e, sobretudo da cabeça de quem está interpretando. Por isso existem leis, regras, guardas e justiça, para que as coisas possam andar mais ou menos em ordem. Mas como as leis são dúbias, as regras são, segundo consenso popular, feitas para serem quebradas. Os guardas não guardam muitas coisas e a justiça é lenta, morosa e às vezes até injusta. Tem uma coisa que talvez seja a mais importante de todas: o bom-senso, que pode ajudar demais na relação com as outras pessoas. Esse bom-senso pode ser o responsável pela "distância" exata entre se divertir e viver bem, sem incomodar outros que querem a mesma coisa.
No forró, e sobretudo aqui no Canto da Ema, é assim também. Temos um espaço limitado e um monte de gente nesse espaço com um monte de cabeças diferentes e, se não tivermos regras e não trabalharmos e convivermos com um certo bom-senso, dificilmente as coisas poderão fluir de uma maneira harmoniosa e gostosa.
A verdade é que temos conseguido, nosso público tem sido extremamente consciente e companheiro nesse sentido, mas, sempre tem alguns que não entendem muito e acabam conturbando.
Falo de coisas simples, coisas que todos deveriam perceber por si só, basta olhar que ao lado tem mais pessoas querendo se divertir sem estarem sendo incomodadas. Deveriam bastar as pessoas não fazerem para os outros o que não querem que façam com elas. Para ajudar, seguem agora algumas dicas:
- Dançar com cigarro ou bebida na mão pode queimar ou molhar alguém.
- Dançar com excesso de voltas que jogam cotovelos para todos os lados. Basta ver se tem alguém muito próximo e aí abaixar os cotovelos para não termos narizes quebrados.
- Convidar alguém para dançar e no caso de recusa, entender que tal pessoa "apenas" não quer dançar.
- Evitar salto alto, sobretudo os mais finos, pois sem querer um pé pode ser bem machucado.
- Não jogar chicletes no chão ou grudá-los nas paredes. É muito chato pisar ou encostar neles.
- Lembrar que o benefício da carteirinha de estudante é direcionado a estudantes que estudam efetivamente e que, portanto, tem mensalidade paga e essa é necessária para a confirmação da carteirinha. Infelizmente a maioria de pessoas sérias sofre com as "espertezas" de outros que querem levar vantagem.
- Lembrar que cartões de crédito, ou de banco de instituições de ensino, não valem como carteirinha, pois a data de validade refere-se à data de validade do cartão de crédito e não do período escolar.
- Lembrar que somos indivíduos que temos gostos e vontades diferentes e a casa foi feita para todos.
- Não segurar meninas pelo cabelo quando elas passam (afinal não somos homens das cavernas) e não exagerar na forma de "xavecar". Vocês não gostariam que fizessem o mesmo com a irmã (ão) ou namoradas (os).
- Jogar os papéis usados nos banheiros no lixo, assim como latinhas e copos plásticos nos lixos do salão. A casa fica mais limpa, agradável e fácil de andar.
E tem muito mais dicas. Pode parecer um excesso de regras para quem "apenas" está indo em uma balada ou saindo para relaxar, mas são coisas simples, que bastam o bom-senso. Acho que se lembrarmos dessas atitudes muitas coisas vão melhorar, afinal o que queremos é respeitar as diferenças sem desrespeitar o divertimento do próximo. É tentar nos divertirmos em um mesmo local com ritmos de convivência harmoniosos que nem uma música, que nem uma dança, que nem um forró.
Paulinho Rosa  (Set/2007)