Façam suas Apostas!
Já faz quase sete anos do estouro do Falamansa. Foi uma época de ouro para o forró. Junto com eles veio o mega sucesso de "Esperando na Janela" do, então apenas artista, Gilberto Gil. Tudo isso fez com que o ritmo aparecesse na mídia como nunca havia ocorrido.
Foi um período em que as casas de forró se multiplicaram e até as que não eram direcionadas para o ritmo criaram dias específicos para arrasta-pés e coisas do gênero. Nesse período que foi cunhado o fantasioso nome "forró universitário", um nome mais bonitinho e elitizado do que o que já existia simplesmente como forró.
O sucesso foi tão grande que acabou respingando em várias outras bandas e trios. Na verdade, todo o segmento cresceu muito e foi aberto um oceano de oportunidades.
Os exemplos mais significativos foram os das excelentes bandas Rastapé e Bicho de Pé, ambas, com todo o mérito do mundo, ultrapassaram as 100 mil copias de CDs vendidos e pegaram carona na mídia. Mas não foram apenas elas, vários trios aumentaram sensivelmente o número de shows e um monte de outros trios reapareceram além de outros tantos que foram formados, pois precisava-se de bandas para as casas e espaços que não paravam de surgir.
Hoje o momento é outro, ao contrário do que alguns pensam, o forró não está acabando, aliás, está longe disso, está estabilizado em um patamar médio. Poderia ser melhor, mas também poderia ser pior como quando o encontramos antes de 1995.
Hoje temos boas casas, mais arrumadas e organizadas do que no período de maior sucesso do ritmo. O tempo fez uma peneira sobre bandas e casas, tirando de circulação algumas bandas que não eram promissoras, assim como fez com algumas casas que apenas pegaram carona na modinha do momento.
O que fazer para que possamos voltar a ter aqueles momentos saudosos do início do milênio?
É difícil dizer, acho que não tem receita, mas com certeza o aparecimento ou a divulgação de uma banda com alguma música que estourasse nacionalmente poderia ser a solução.
Seria legal dar um apoio efetivo a alguma delas, qualquer uma das que fazem forró de verdade para que nos colocasse, todos nós forrozeiros, nos trilhos do sucesso e da mídia.
O Falamansa, líder e principal responsável por aquele momento mágico, continua aí, trabalhando muito e bem e esta em véspera de lançamento de CD. O Rastapé acabou de lançar mais um trabalho e, depois de trocar de produtora, aumentou o número de shows e eventos. O Bicho de Pé vem fazendo um trabalho muito legal, com projetos em leis de incentivo agregando o conhecido talento à obra de grandes artistas, além de contarem sempre com uma Janaina inspiradíssima.
Por falar em inspiradíssima, Maria Paula continua mantendo o ritmo e o pique na sempre deliciosa O Bando de Maria, com o recém lançamento do segundo CD da banda que tem arranjos novos e super criativos, contando com vários hits de antemão.
A banda mineira, "Menina do Céu" também vem despontando com grande qualidade. Numa inesperada junção entre canto lírico e forró, lançaram um CD muito interessante que vale a pena conhecer. Isabela e os meninos agradaram muito aqui no Canto da Ema e em todos os locais onde se apresentaram.
Por falar em agradar, quem agradou mesmo foi o Clã Brasil que apareceu com um "canto heróico, bravo e retumbante". A família paraibana com pai violonista, mãe triangleira e três filhas multi-instrumentistas afinadas e extremamente carismáticas, distribuíram simpatia e alegria à vontade. Juntos, com mais um casal de irmãos que compõe a banda é, sem dúvida, um dos mais entusiasmantes acontecimentos de forró.
Existem muitas outras, mas estas são as que aparecem saindo na frente para liderar este movimento nosso. Se me perguntarem por que não relacionei Trios, é porque acredito que a mídia e o público em geral fecharão os olhos para esse formato. Se num primeiro momento até um outro nome arrumaram pro ritmo, tudo para fugir do estigma criado pelo tempo, o que diremos dos formatos mais tradicionais de apresentação do ritmo.
Por isso façam suas apostas, mas apostem mesmo, escolham a que mais gostam. Pode até ser mais de uma, mas toquem as músicas, comprem os CDs, contem para as pessoas e os tragam para vê-los. O forró agradece!
Paulinho Rosa  (Ago/2007)