15 de julho, finalmente!
Ta chegando dia 15 de julho, dia do lançamento do segundo CD de O Bando de Maria.
Para alguns a melhor banda que existe, para outros uma banda promissora e de grande futuro, outros acham repetitiva, e para outros ainda, uma banda que não é de forró.
Arriscar em um ritmo essencialmente ligado a uma região é muito difícil, ainda mais quando não se é dessa região. O Bando de Maria optou por fazer forró com sotaque próprio, com as influências musicais de cada um de seus integrantes, que já são bastante heterogêneos entre si, e a partir disso tocar o ritmo que os cativou, os apaixonou e os fez virarem músicos e banda.
Desde a formação original, que lembrava um grupo de suecos carecas ladeando uma argentina "explosiva", que a banda se mostra diferente do que estamos acostumados a ver. Essa talvez seja a principal qualidade dessa banda que faz do arrojo e a personalidade sua faceta mais atraente.
O primeiro CD, com produção do Tato do Falamansa, teve vários sucessos, desde a terna "Carinha de Leão", passando pela música homenagem "Terrinha" , pela descolada "Quem é Que Foi" e principalmente chegando na energizante "Tiro de Bodoque", destaque de um CD ainda imaturo, mas com claras qualidades que faziam prever um retorno arrebatador para a banda.
Retorno que não existiu. A banda continuou trilhando um caminho de sucesso sim, mas tímido de resultados. Tímido demais para os músicos da banda, para o público e, sobretudo para a necessidade do ritmo que anseia por alguma presença mais pujante na mídia. Com tudo isso parte da banda se foi e parte das características também. Os novos integrantes trouxeram novas propostas e novo fôlego, que culminou no segundo CD da banda, previsto para ser lançado este mês no Canto da Ema.
O CD intitulado 'O Bando de Maria', com produção do baixista e pesquisador de música regional Alfredo Belo, é a mostra de que o tempo faz bem; pode envelhecer, mas bem vivido amadurece. O resultado saiu bem criativo. Para os que não achavam banda de forró, talvez achem ainda menos. Talvez precisem amadurecer também, pois se trata de um CD de forró muito próximo do que os modernos adoram chamar de World Music, ou música do mundo, uma fusão de ritmos, instrumentos e sonoridades muito gostosas, tomando como base o forró.
Em um primeiro momento, até porque a primeira música remete a isso, a impressão que temos é de ouvir algo moderno, descolado, que lembra "Os Novos Baianos". Sem copiar nada ou fazer referência, apenas o clima lembra: pra cima e animado. Alguns xotes e baiões primam por ritmos gostosos de dançar e letras bem construídas, tão diferente de algumas músicas que ouvimos nas rádios atualmente. Tem também, três releituras muito legais: "Juvenar", clássico da sempre entusiasmante banda Karnak, aqui numa releitura xoteada com direito a cordas e a já conhecida gaita no final, e Erva Rasteira e Festa, clássicos de Gonzaguinha que no CD ganhou uma versão mais "pegada" e que tem um dueto bem diferente e muito legal com o Tato do Falamansa. Outra faixa que chama atenção é o coco "Esse Coco É Meu", música de Zé Maria, compositor popular que ganhou um arranjo cheio de ginga, um verdadeiro convite para dançar. Mas os grandes destaques ficam por conta de "A Quantas Léguas Dali", música que resume a procura da nova sonoridade da banda, e "Quando Chegar O Verão", um xote envolvente e super gostoso, entoado num dueto especial e, desde já, inesquecível entre Maria Paula e Dominguinhos.
É um CD diferente, uma proposta diferente como todo ritmo precisa para se firmar e conquistar novos adeptos. O forró ta precisando disso, alguém com uma proposta diferente e atraente para recolocar o ritmo na mídia.
Nós do Canto da Ema, que adoramos os músicos tradicionais e tentamos sempre caminhos novos e criativos para o forró, estamos muito felizes com o resultado. O cd, além de atender completamente as nossas expectativas, encanta, surpreende e apaixona. Agora é só esperar o público.
O que é que vocês acham?
Paulinho Rosa  (Jul/2007)