Canto da Ema Fashion Week
Como se vestem as pessoas para vir ao Canto da Ema?
Quem se preocupa mais com vaidade? Homens ou mulheres?
A fama diz que são as mulheres. A demora em sair de casa, a necessidade de experimentar 50 tipos de roupa e quase sempre voltar à primeira, se maquiar, arrumar os cabelos e depois desarrumar um pouco. Combinar sapato com as unhas, se olhar no espelho e fazer caras, testar olhares, ver se o contorno do corpo fica bem com o modelito escolhido etc., etc., etc. Tudo isso sugere uma demanda grande de tempo e um longo período de pré preparação, porque não pensem que chega em casa e decide o que vai vestir ali na hora. A dúvida entre aqueles 50 modelos já citados ocorre independente de planejamento, mas se, por ventura, a balada fosse marcada com alguma antecedência, já passaria pela cabeça delas durante boa parte do dia o que usar: "será que aquela regata preta básica que foi lavada, já secou?", "por que eu fui usar ontem aquela saia que é tão boa para dançar?", "e se eu tivesse uma sapatilha vermelha para combinar com este colar?".
É lógico que deve ter um monte de mulheres que, ao lerem isto tudo, vão querer me matar, mas só depois de toda a roupa escolhida e ela se sentir perfeita para encarar a pessoa a ser bronqueada, com a segurança que a estética proporciona.
E até para tirar a roupa existe um certo cuidado. Calcinhas e sutiãs são produtos procuradíssimos e com uma variedade incrível, e não apenas os básicos, o que me leva a pensar que..., bom, é legal se apresentar sempre bem. A preocupação existe até nas férias, pois além de se ocupar com a combinação da sandália com o biquíni ou a canga, existe o cuidado com a mudança de um biquíni por dia, para acabar com as marcas dele ou até levantá-lo para deixar a marca aparente quando for usar uma calça com cintura mais baixa. Tudo isso são provas cabais dessa preocupação.
Para ser bem justo não são todas assim, pois embora todas tenham isso no gene (tenho certeza que não é cultural, apesar de ser uma afirmação sem nenhum empirismo) algumas são bem práticas e objetivas. Mesmo que não sejam, nada a reclamar. "Beleza não põe mesa", mas é uma delícia de se ver.
Na maioria das outras baladas essa preocupação e cuidado todo é ainda maior: "tubinho preto", maquiagem em abundância e um monte de parafernálias que às vezes fica até difícil reconhecer as pessoas. Em qualquer balada eletrônica, rock, pop, etc. têm seus vestuários mais ou menos típicos. As tribos se reconhecem por esses quesitos e o forró também tem peculiaridades.
O que eu acho mais legal no forró é a simplicidade. Aqui o vestuário é simples, discreto, deixando espaço para cada um se mostrar como é: de cara limpa e sem adereços e adornos exagerados. Rita Hayworth, famosa atriz americana da década de 40, disse certa vez que os homens dormiam com Gilda (sua principal personagem) e acordavam com a Rita. No forró as mulheres não terão nunca esse problema, ta todo mundo como é de verdade.
Chegou a hora de falar dos companheiros.
A rapaziada masculina que vive se vangloriando de ser desencanada e distante destas preocupações. Eles (nós) pensam que enganam quem? Ou alguém acha que é fácil deixar a cueca aparecendo exatamente daquela maneira da moda? Aliás, o cara se preocupa com qual e como ela aparecerá.
E as toucas e bonés? Falei em tribo e nada mais tribo do que os caras todos de bonés, tênis e bermuda. Nada contra, mas boné e touca dançando forró, tudo quente, a cabeça suando. Bom, cada um anda como quer.
Teve uma época e ainda tem um monte de gente de sandália.
Aqui camisa quadriculada, e camisas em geral, é difícil alguém ver.
Para as moças que não conhecem os meandros do banheiro masculino, saibam que vários rapazes passam longo tempo se arrumando, ornamentado os cabelos e às vezes molhando-os, procurando dar um aspecto diferente. Vocês acham que é fácil parecer desarrumado com estilo?
No final das contas, como em todas as baladas, as pessoas se arrumam. A grande diferença do forró está no despojamento, na simplicidade que deixa um espaço grande para o charme e a atitude de cada um aparecer independente da produção. Aqui dançar vale mais que um vestido de grife ou um relógio rolex. Estar na moda da rua é menos importante que estar na moda do forró e, menos ainda, do que dançar gostoso e conversar "na boa" com as pessoas.
É só perceber, temos muito mais espaço de dança do que de convívio social.
O forró é democrático até nisso, pois uma saia da Rua 25 de Março tem quase o mesmo apelo que uma do Shopping Iguatemi. Depende de como e quem usar.
Por isso esqueçam os saltos altos, roupas pesadas, camisas longas e adereços exagerados em geral, isso tudo atrapalha mais do que ajuda. Aquela menina ou rapaz que lhe interessa vai olhar mais para você e suas atitudes, sem esquecer que provavelmente você vai suar, mexer e remexer muito.
Lembre-se de vir com roupas leves, a roupa que te deixar mais à vontade: saias, vestidinhos, calças e camisetas, bermudas, regatas e regatinhas, baby-looks e etc.
No mais, calce sua vontade de dançar, vista sua disposição de conhecer e fazer novos amigos e maquie seu melhor sorriso.
Isto aqui é forró!
Paulinho Rosa  (Set/2006)