Cadê a Festa?
Mais um mês de junho passou e foi como se passasse apenas mais um mês. Aqui em São Paulo pouco se viu de festejo junino ou lembrança de Santo Antonio, São Pedro e São João. Santo Antonio pelo menos, deve ter sido lembrado por um monte de mocinhas casadoiras, mas lembrar mesmo, fazer simpatia ao pé da fogueira e coisas assim, quase não existiu. Até porque, onde estavam as fogueiras se nem festas existiram direito?
Tirando algumas igrejas, colégios e clubes que fazem festas juninas como que para cumprir calendário, São Paulo pouco tem destes eventos. Se pensarmos nas festas populares brasileiras, o festejo junino só fica atrás do carnaval. Então aí é que devemos ficar realmente preocupados, pois até o "halloween", festa das bruxas (mais uma importação cultural brasileira), vem ganhando espaço e, ao menos na mídia, já tomou o lugar das festas juninas.
Isso é muito triste. Quem já foi em alguma pequena cidade do Nordeste e caminhou nas ruas com fogueiras de fronte a todas as casas, para depois chegar à fogueira maior e acompanhar um forró de verdade, comendo canjica (mungunzá), curau (canjica) e pamonha, sabe do que estou falando.
Claro que em uma cidade como São Paulo é impensável fogueiras na frente das casas e coisas do tipo, mas mal ouvimos falar em festas, mesmo as pequenas. Quem não freqüenta igreja e não tem filho ou sobrinho, junho passa como um mês de frio, quando faz frio. Ta bom que este ano foi ano de Copa do Mundo. Ta bom que o futebol e a nossa seleção têm muito mais apelo que as comidas de milho, a sanfona e o vinho quente, mas não são coisas excludentes e seria bem possível uma grande comemoração futebolística em ritmo de arrasta-pé, caso a festa tivesse mais chance de aparecer e fosse mais arraigada na nossa cultura. (E caso tivéssemos um técnico melhor que o Parreira.)
Mesmo no interior de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro existem boas festas e grandes fogueiras, mas nas capitais nada acontece ou muito pouco. No Nordeste, onde as festas têm mais apelo, a integração geral da cidade é maior. Por exemplo, durante o reinado de Momo só ouvimos músicas referentes a carnaval, ou seja, axé na Bahia e frevo no Recife. Passada a quaresma, chega a hora do forró e as rádios, ao menos algumas, passam a entoar as novas e velhas músicas do gênero. Começam os campeonatos de quadrilha e toda a cidade se mobiliza em torno do tema. Os supermercados fazem decorações típicas e as pessoas se preparam para o São João, a grande festa.
São Paulo é a cidade que mais tem nordestinos no país, mais que essas capitais. São Paulo deve ser a única cidade em que existe forró de segunda a segunda. Temos praças e espaços para realizar diversos eventos. E por que nada acontece?
Há pouco tempo foi sancionada uma lei chamada "Santo Antonio Visita São Paulo". A idéia era fazer no dia 13 de junho, dia de Santo Antonio, uma grande festa popular distribuindo atrações pela cidade. Nesse dia, estrategicamente fugindo da concorrência das cidades do Nordeste no seu dia mais forte, dia de São João, São Paulo teria uma série de eventos. Pois bem, a lei foi sancionada, mas não executada e São Paulo viu mais um junho passar sem a iluminação das fogueiras e o som das sanfonas.
O Canto da Ema se sente incomodado e chateado com a situação. Por sermos uma casa de forró e adorarmos o ritmo e a festa achamos que junto com o nosso público devemos levantar a bandeira por essa causa, essa maravilhosa festa tipicamente brasileira. Sem nacionalismo exagerado, mas apenas pensando na alegria, no lazer e no apoio à nossa cultura que ela proporcionará.
Paulinho Rosa  (Jul/2006)