O
que é Forró Universitário?
Forró que vai para a faculdade? Ou é um
ritmo especifico? Se for, que ritmo é? Dizem que o Canto da Ema é forró universitário,
mas aqui se toca de tudo um pouco: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos,
Forroçacana, o Bando de Maria e tantos outros na discotecagem. Ao vivo,
um monte de trios de sanfona, triângulo e zabumba e algumas bandas também.
Isso é Forró Universitário? Na verdade, desde que seja forró de
verdade com a marcação certa no xote, arrastapé, baião,
xaxado, forró, coco e etc., toca aqui.
Entendo que forró universitário é um
sub-título para justificar a volta de um ritmo para as classes sociais
mais favorecidas, sem que elas tenham que assumir o ritmo como ele o é de
verdade, ou seja, os preconceituosos com relação ao forró podem
falar: "Eu gosto de Forró Universitário!", o que lhes
concede um pouco mais de status do que simplesmente gostar de forró. Já os
tradicionalistas, por outro lado, dizem: "Eu odeio Forró Universitário!",
na verdade, sem saberem muito o que é.
Na minha opinião, ele não tem
nada de diferente, é apenas o forró com um nome a mais. Universitário,
porque no final do século passado passou a ser freqüentado por jovens,
na sua maioria , estudantes das principais faculdades de São Paulo.
É sempre bom lembrar que esse ritmo
foi criado ou moldado por Luiz Gonzaga. Nesses casos, quando a origem é conhecida, é mais
fácil dizer o que é e o que não é.
Gonzaga, em principio, tocou baiões,
depois xotes, rojões, marchas e por aí foi.
O que as bandas ditas "universitárias" tocam, é forró. "Rindo à Toa",
por exemplo, música do grupo Falamansa é um xote, assim como o "Xote
das Meninas" de Gonzaga Se vocês prestarem bem atenção
na marcação da zabumba, verão que é praticamente
a mesma.
Uma possível explicação
para o nome, poderia ser também com relação à dança.
Embora o que se toque por aqui seja forró, a dança é uma
mistura de vários ritmos. Aliás, parece que hoje as pessoas dançam
forró da mesma forma que dançam gafieira, salsa, samba-rock, lambada,
Zouk e vive-versa. É tudo misturado. Nordestino que chega por aqui se
assusta.
Mas seria estranho nomear uma casa por esse
motivo, já que dança é democrática e cada um faz
ao seu modo. Eu não solto a moça para rodar de forma nenhuma; tem
gente que só faz isso.
O mesmo não podemos falar das bandas
do outro tipo de forró que as pessoas costumam chamar também de
forró. Ou, pelo menos, as pessoas que gostam desse ritmo ou os produtores
que lidam com ele. Bandas como Brucelose, Limão Com Mel e Calypso fazem
outro tipo de música. É uma lambada, abaiãozada, com toques
de samba e ritmos caribenhos. Uma confusão só. Pode ser tudo, mas
forró não é.
Também já existiu o Forró Malícia.
Foi muito tocado, sobretudo nas décadas de 70 e 80 e se caracterizava
por ter letras de duplo sentido. Quem não lembra de "O Gato Tico" ,
uma pérola do gênero. Tinha a divertida letra do gatinho chamado
Tico que miava em todo lugar: "Tico mia na sala, Tico mia no quarto" e
ia assim, miando em todo lugar...
Genival Lacerda, Zenilton, Sandro Becker,
Clemilda e até João do Vale perambularam por esse estilo, que mantinha
o mesmo ritmo dos forrós mais conhecidos.
Tanta confusão e tanto sub-título
fez com que o forró, aquele, criado por Gonzaga, viesse a ter o seu também: "Forró Pé-de-Serra".
Foi necessário rebatizar um filho, porque puseram em outros o mesmo nome
e já não conseguíamos diferenciá-los.
Isso nem é de todo ruim, embora eu
prefira falar que o Canto da Ema faz apenas FORRÓ. E tocamos até um
pouco do forró malícia e poderemos tocar outros tipos, mas, desde
que o ritmo seja o criado por Luiz Gonzaga e desde que possa ser freqüentado
por qualquer tipo de pessoa, independente da idade (desde que acima de 18 anos),
de raça, nacionalidade, classe social e credo.
Portanto, quem usa o nome forró universitário
para tentar, de alguma forma, esconder que vem a forró, esqueça.
Você tá dançando o ritmo nordestino sim, tenha orgulho, afinal é um
segmento muito representativo da cultura do nosso país.
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