Qual
a importância de um DJ?
Hoje quase tanta quanto a dos mais importantes
artistas. Algumas das mais badaladas, festejadas e populosas festas da cidade
e do país, ficam sob a batuta deles, sem bandas, cantores e músicos.
Ficar no comando do “som mecânico” significa status de estrela. Em qualquer
ritmo é assim. Na música eletrônica talvez seja o maior exemplo,
mas em todos os gêneros musicais o responsável pelas músicas
são vedetes importantes. Seja em festas de amigos, casamentos, eventos,
boates, danceterias, o “cara” é sempre importante e, de uns tempos para
cá, imprescindível, além de às vezes caro. Tem programas
de TV em que ele é personagem fundamental, mesmo tocando apenas uns 10
minutos em possíveis 60.
Toda essa aura e essa repercussão
são de certa forma justa. Quando queremos dançar, conversar, ter
um bom som, nada melhor que um especialista. A importância é tão
grande que eles têm parcela considerável nos lançamentos
de novas bandas e novos sons.
Se todos os DJs de um determinado local
repetirem em noites seqüentes alguma música, ela passa a virar sucesso,
as pessoas passam a querê-la e os CDs aumentam as vendas. Sem contar a
mídia, que passa a dar atenção. Se todos os DJs esquecerem
determinadas bandas, as pessoas vão ouvi-las em menos lugares, ela estará menos
relacionada às baladas e conseqüentemente, com o tempo, perderá força.
Na maioria dos outros ritmos os DJs estão
sempre lançando as novidades. Em pouco tempo as músicas somem e
aparecem outras, com isso, o “movimento” está sempre se renovando. Algumas
vezes isso acontece porque a produção passa a ser muito forte e
criativa mesmo, mas, em outros casos, as músicas são descartáveis
e por isso têm curta duração. Vai uma e vem outra, e em pouco
tempo a primeira é esquecida, podendo virar um clássico brega em
alguns anos.
No forró as coisas também
acontecem assim, mas os DJs que tocam o ritmo tomam uma postura diferente dos
DJs dos outros ritmos. Aqui, nos quintais de Luiz Gonzaga, os DJs estão
sempre cultuando o passado, para a nossa felicidade e para a manutenção
do nosso riquíssimo acervo. O próprio Gonzaga e mais Jackson do
Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, Dominguinhos, Os Três do Nordeste,
João do Vale, Ary Lobo, Jacinto Silva, Edson Duarte, Jacinto Limeira,
Camarão, Zé Calixto, Zé Gonzaga e muitos outros, até Borrachinha
tem lugar nos salões de forró da cidade e de todo o Sudeste que
redescobriu o ritmo. Mas (sempre tem um “mas”) e as novas bandas e trios? E daqui
pra frente? Se tudo o que foi dito acima tem um pingo de verdade, como seguirá o
forró daqui para diante? A mídia nós já sabemos que
não toca forró. Se nós, nos nossos guetos, não valorizarmos
e não lançarmos nossos novos artistas, quem o fará? Já imaginou
as pessoas que vêm ao forró, se apaixonam pelas músicas e
depois vão querer ir em shows de Jackson, Luiz Gonzaga, Jacinto Silva....?
Se não começarmos a olhar
para o presente e para o futuro, sem claro esquecer o passado, o nosso acervo,
que é maravilhoso, vai continuar sendo, mas será um acervo parado,
estático, sem nada novo. Ficaremos eternamente ouvindo as mesmas coisas,
porque o passado é passado, porque já foi, não produzirá nada
novo nem diferente.
Está na hora dos DJs de forró ajudarem
ao desenvolvimento do ritmo, pararem de disputar quem conhece mais dos clássicos
e ”pedradas” do ritmo, e se preocuparem efetivamente com ele. Que tal nos juntarmos
e ajudarmos alguma banda a atingir um estágio, ao menos, próximo
do que o Falamansa conseguiu? Caso não lembrem, na época em que
ele estourou chegamos a ter seis casas do ritmo, lotadas ao mesmo tempo, com
mais espaço para bandas e até para os DJs. Hoje temos três,
sendo que em uma delas os boatos de fechamento são cada vez mais fortes.
Que tal tocarmos entre Gonzaga, Jackson
e Dominguinhos, um pouco de Forroçacana, Rastapé, Falamansa, O
Bando de Maria, Arleno Farias, Miltinho Edilberto, Trio Sabiá, Trio Araripe,
Trio Virgulino, Os Quatro Mensageiros, Trio Xamego, Trio Balanço Bom,
Bicho de Pé, Silvério Pessoa, etc.? É só balancear
um pouco, equilibrar as diferentes épocas e conceitos.
Tenho certeza de que pelo menos uma ou duas
dessas, os DJs devem gostar. Nem quero que comparem com os nossos ídolos
do passado, mas que dêem uma chance para que no futuro nossos filhos tenham
chance de pesquisar em nossos CDs, relíquias tão disputadas quanto
as que hoje nós disputamos nos acervos de dez e vinte anos atrás.
Acho que se nos unirmos o forró ficará cada
vez mais forte e em breve teremos muito mais casas e público, e conseqüentemente,
muito mais DJs.
|