Alguns
sopros de otimismo vêm acontecendo ultimamente. Ao
contrário das casas de forró que diminuíram
recentemente, provavelmente muito mais por deficiência
administrativa do que por enfraquecimento do ritmo, o número
de bandas parece que vêm aumentando cada vez mais.
Nem todas boas, nem todas promissoras, mas, de qualquer
forma, divido a opinião com aqueles que acham que
da quantidade tiramos a qualidade. Algumas ótimas
revelações vêm surgindo, outras com
potencial também.
Além disso, alguns jovens artistas
no mercado, já há algum tempo, contrariando a disposição
da mídia, vêm mostrando uma força e capacidade de movimentação
incomum nesse meio.
Independente da divulgação
que possam ter, fazem trabalhos excepcionais, criativos e de muita força,
provando que o ritmo, historicamente muito rico, ainda tem excelente potencial
de desenvolvimento.
Recentemente, citei aqui mesmo neste espaço,
o caso de algumas bandas aparecerem com DVDs. A inclusão neste formato é uma
excelente notícia, quando muitos achavam que nada aconteceria mais com
o ritmo, gravadoras importantes como a EMI e canais de mídia como a MTV,
resolveram espontaneamente apostar em bandas de Forró, no caso, as excelentes
Falamansa e Rastapé.
Quero aqui falar de dois casos diferentes.
Duas bandas, de fora de São Paulo, que primam pela singularidade de seus
trabalhos, qualidade de letras( não falam apenas em sol, praias e dores
de amor) e de musica (evitam os xotes melosos ) e pela ascendência que
têm junto aos seus fãs.
Forroçacana é praticamente
uma unanimidade entre forrozeiros. Onde quer que vão, enchem a casa e
causam uma espécie de histeria coletiva durante os shows. O público
conhece de cor todas as músicas e letras, conhecem os integrantes e fazem
dos eventos, onde eles estão, uma enorme festa.
Os CDs da banda, sempre recheados de sucesso,
mesclam arranjos criativos que remetem ao mesmo tempo a uma espécie de
Regional, talvez pela forte presença da Rabeca. Todos os integrantes,
excelentes músicos, se movimentam de forma entusiástica que contagia
e eletriza. Recentemente lançaram o DVD e o CD “O Melhor Forró do
Mundo”, um título que não é exagero nenhum, poderia no máximo
ser mudado para “Um Dos...”.
Sempre que os encontro, pergunto o motivo
de até hoje não terem emplacado nacionalmente e de forma mais popular.
As respostas alegam qualquer coisa sem muita convicção.
Será que nenhuma gravadora importante
prestou atenção até agora nesse sucesso todo que fazem de
forma tão espontânea? Imaginem se tivessem um pouquinho de ajuda
da mídia?
Outro caso é Silvério Pessoa.
O ex Cascabulho já vem há algum tempo trabalhando solo e sempre
de forma brilhante e inovadora. Lançou, alguns anos atrás, um dos
grandes CDs de forró recente, o “Bate o Mancá”, recheado de releituras
de Jacinto Silva, seu amigo e compadre. Desde então, vem fazendo shows
em Recife, parte do Nordeste, a França quase toda e parte da Europa, mas
com enorme dificuldade de aportar em terras paulistanas, apesar dos sistemáticos
convites do Canto da Ema.
Fez, nesse meio tempo, um outro disco de
frevos de Jackson do Pandeiro, onde usou e abusou de diversas tendências
musicais como Reggae, Funk, Rapp e etc., trazendo à tona um memorável
acervo de hits carnavalescos do nosso saudoso Rei do Ritmo (Jackson).
Este mês, Silvério acaba de
nos trazer seu mais novo trabalho que acabou de sair do forno, e com um título
bem sugestivo: “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”.
Mais uma vez demonstra toda a sua criatividade e versatilidade, tendo sempre
como base o nosso amado forró. Silvério, oriundo de Carpina, Zona
da Mata Pernambucana, tem nessa origem forrozeira o pano de fundo dessas geniais
referências modernas onde, junto com Lenine, Dominguinhos, Alceu Valença
e mais uma série de convidados, criou um CD inovador, sem perder o pé da
nossa cultura popular.
São dois casos que nos motivam e
enchem de orgulho. Enquanto tivermos artistas desse porte criando trabalhos dessa
envergadura, o forró tem lugar garantido para nossas próximas gerações.
E, se a mídia começar a reparar e os “fundamentalistas do forró”
diminuírem o radicalismo, em breve a nossa fatia será cada vez
maior.
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