Março é o
mês das mulheres, é, ao menos, o mês que tem o dia da mulher.
Um dia mais que merecido. Se não pela superioridade feminina
sobre nós, errados, pretensiosos e insensíveis homens,
a mulher merece por tudo o que sofreu de preconceito e
grosseria todas as comemorações, e ter sempre lembrado
os direitos à igualdade que a cultura e a força física
impediram durante tantos séculos.
Por tudo isso, resolvi falar no editorial
deste mês sobre mulheres. Não sobre mulheres em geral, suas características,
sutilezas e sua alma sempre tão complexa e regida por sabe lá que tipos de substâncias
incompreensíveis para nós homens (não inclua Chico Buarque entre esses homens).
Resolvi falar sobre determinadas mulheres, sobretudo as personagens importantes
do forró, as da história e as recente revelações que já passaram pelo palco do
Canto da Ema.
A primeira delas foi, sem dúvida, Marinês.
A “Gonzaga de Saias”, “Rainha do Xaxado”, é considerada até hoje, pela maioria
dos cantores e músicos do gênero, como a mais bonita e potente voz do Nordeste.
Dona de uma personalidade forte, braba como ela só, mas sempre muito querida,
Marinês foi esposa de Abdias, importante sanfoneiro. E juntos conceberam outro
grande sanfoneiro: Marquinhos Farias. Essa Pernambucana que muitos pensam Paraibana,
gravou mais de 30 títulos, entre LPs e CDs, e já passou pelos palcos do Brasil
inteiro, entre eles pelo palco do Canto da Ema.
Chiquinha Gonzaga, irmã de Luiz Gonzaga, é outra
importante representante feminina do forró. Oriunda de linhagem real do ritmo,
Chiquinha além de cantar é tocadora de oito baixos. Extremamente simpática e
simples, esbanjou carisma em sua passagem pelo Canto da Ema.
A carioca Carmélia Alves também ostenta
um significativo posto dentro da realeza do ritmo, apelidada pelo próprio Rei
do Baião como a Rainha do Baião. É uma elegante e versátil cantora. Militou também
entre as importantes cantoras da época do rádio rivalizando e ao mesmo tempo
sendo companheira das cantoras da sua época. Em uma noite inesquecível durante
o aniversário de três anos do Canto da Ema, Carmélia dividiu o palco com Marinês.
De todas as mulheres no forró, a que mais
se destaca como compositora, embora seja também cantora, é Anastácia. Co-autora
de alguns dos clássicos do ritmo como “Eu Só Quero Um Xodó” e “Tenho Sede”, Anastácia
acrescentou, e muito, no show comemorativo do dia do Forró no palco do Canto
da Ema.
Cecéu é outra importante compositora do
ritmo, parceira do marido Antonio Barros, esteve aqui acompanhando, cantando
e produzindo o show de sua filha Maíra. Esta que é uma grata promessa do forró,
jovem e com grande energia no palco.
Quem também tem aparecido em nosso palco é uma
das maiores estrelas da música popular brasileira, ninguém menos que Elba Ramalho.
Em uma ação bonita e importante para os problemas sociais, Elba vem realizando
shows beneficentes com renda revertida para a ONG Bate Coração, que visa o auxílio à entidades
que trabalham com crianças carentes e necessitadas. Elba Ramalho, que não é uma
cantora de forró apenas, traz no sangue toda a lembrança e nostalgia dos festejos
juninos de sua infância e entoa suas canções, forrós, xotes e arrastapés no Canto
da Ema como se estivesse em casa. E não é que está?
Desde o recente reaparecimento do forró no
Sudeste, nesse movimento que propiciou uma maior diversidade social que ocorreu
de 1995 até o estouro do Falamansa em 2000, poucas mulheres apareceram no cenário
do movimento do forró pé–de-serra (não gosto de sub-títulos para o forró). Isso
ocorreu, imagino eu, devido a forte divulgação das bandas que tocam algo similar
e que eles chamam de “forró” e ficou conhecido como forró eletrônico. Todas elas
tinham como intérpretes cantoras de voz esganiçada e que mais vendiam sua imagem
em fantásticas pernas pouco tapadas por minúsculas saias. Um caso em que a música
vendida valia mais pela imagem do que pelo ritmo e execução propriamente ditas.
Para os apreciadores do gênero, parece que
havia um obstáculo em aceitar mulheres e por isso mesmo todas as bandas e trios
eram praticamente só de homens.
Mas, logo após o estouro do Falamansa, três
lindas, talentosas e excelentes cantoras apareceram no cenário paulistano e também
no Canto da Ema.
Janaina Pereira, cantora da banda Bicho
de Pé e lançada por Miltinho Edilberto, é daquelas que hipnotizam nossos olhos
na sua direção. Engraçada, atraente e soberana no palco, desfila sua bonita e
deliciosa voz em românticos xotes e em brincadeiras com o público fazendo-os
dançar em energéticos forrós.
Mariana Aydar, outra musa de Miltinho Edilberto,
fez parte da excelente Caruá. Essa banda de exímios músicos aliava criativos
arranjos com a voz suave, delicada e afinadíssima para a alegria geral do público,
sobretudo dos marmanjos que se acotovelavam para ouvi-la e vê-la cantar. Hoje,
lançando disco solo, com poucas ligações com o ritmo, ela deixa saudades e esperança
de um breve retorno.
Maria Paula é, talvez, o mais inusitado
caso de todas elas. Argentina de nascimento, mas brasileira por aptidão, essa
morena, ruiva, loira arrebata a todos há três anos no Canto da Ema. Com sua forte,
bonita e potente voz, a Maria de O Bando de Maria, possui “alma de artista”.
Sua presença de palco, que mais parece uma atriz em um monólogo, vagueia entre
o drama na interpretação de uma letra que fala da seca ou na alegria nas que
falam de esperança e festa, colocando a todos em uma espécie de transe coletivo.
Ela é uma estrela em ascensão.
Para completar quero lembrar das freqüentadoras
do Canto da Ema, que não estão no palco mas estão sempre
lá, dançando, dando graça, charme, beleza e perfume às
nossas noites de forró.
Essas são as nossas mulheres, todas maravilhosas,
todas talentosas, todas forrozeiras.
Parabéns e obrigado por estarem sempre conosco!
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